quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Comiseração (54) (P)

Oh Meu Deus, estas vozes estão a tentar matar-me! Ao início eu tinha uma voz, era uma voz que ressoava forte e era ouvida. As pessoas obedeciam prestavelmente às suas ordens, porque era uma voz limpa, de líder. Com o tempo, a minha voz foi afrouxando. Comecei a falar para dentro e de forma insegura. As pessoas deixaram de me ouvir e comecei eu a seguir as vozes fortes que ouvia. Era muito feliz. As pessoas amavam-me e eu sentia-me integrado. Fazer aquilo que me mandavam deixava-me num paraíso de despreocupação. Os outros ocuparam-se de me fazer feliz e eu fui feliz pelos esforços deles, mas a certa altura tudo mudou. Vinda de mim, uma outra voz começou a discordar com as opiniões daquela que eu julgava ser a minha voz e então...instalou-se a dúvida. Qual é a minha voz? Será a primeira, a segunda...ou não será nenhuma destas...então apercebi-me de uma terceira voz, uma voz irada que estava lá no fundo do espírito a gritar pelo meu sangue. Desde esse dia, a minha voz tem vindo a multiplicar-se todos os dias. Já não tenho opinião nenhuma. Aceno a todos os pensamentos que me são apresentados. Todas as pessoas têm razão, de certa forma...

Nadir Veld

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