terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Os Diários Lunáticos de Zenit Saphyr (14 de Novembro de 1996)

Como desenvolver a imaginação:

Sempre que nos confrontamos com uma situação, não podemos olhar para ela como se já estivesse completa, uma vez que ela nunca está acabada (nada está acabado no mundo, mesmo a morte é uma coisa aberta, desconhecida, um negro mar em que todos navegaremos, mais cedo ou mais tarde). A partir do momento em que conseguimos ter essa visão, o que eu chamo a "visão de permanência", uma vez que se consegue fixar no alvo e ficar a olhar para ele muito depois de o que se passa à sua volta ter perdido o interesse, percebemos qual é a questão que devemos colocar perante cada situação para nos serem reveladas todas as possibilidades que ela abria: "E SE...?"...Ok, ok, isto passou-se, mas "e, se...". Quando o "se" nos aparece na mente, sibilando como uma serpente, toda a cena ganha uma perspectiva diferente. Analisamos o que fizemos e o que foi feito e milhares de pequenas situações, de gestos, de tudo, poderiam ter mudado os factos que acabaram por acontecer. Foi assim que desenvolvia  a minha imaginação....


P.S.: Encontrei este pequeno texto de 1996 que tenho bastante interesse em desenvolver, mas sei como para mim é difícil voltar a pegar naquilo que foi deixado no passado...Não é falta de imaginação, é falta de vontade...Sou um avantanto, só olho para a frente e para o que ainda não fiz e não consigo parar de me contradizer, da mesma forma que não consigo parar de pensar, ainda que o meu cérebro esteja só a queimar e isto sejam só as palavras desperdiçadas, o dinheiro desperdiçado, o tempo desperdiçado, a vida desperdiçada tudo por causa do amor despedaçado.

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