terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Os Diários Lunáticos de Zenit Saphyr (22 de Dezembro de 2015)

Passei a tarde a beber cervejas e a fumar paivas no Arco do Cego com o meu amigo Arnaldo Rodas, um paraguaio que cresceu na Galiza e que eu conheci em Santiago de Compostela, quando lá trabalhava. Ele aproveitou as férias de Natal para vir até Portugal passar uns dias e eu, para além de o acolher em minhas casa, levei-o a conhecer toda a cidade e mostrei-lhe os recantos mais poderosos de Lisboa. Ele ficou maravilhado com o meu conhecimento pormenorizado sobre as ruas e encantado, com todas as histórias que lhe contei. Arnaldo fala sempre em galego, língua que prefere ao espanhol por ser o símbolo de uma minoria. Por volta das 19:00 fomos para Entrecampos para apanhar o comboio suburbano até Sintra, cujos mistérios místicos eu sou capaz de revelar melhor quando o sol se põe. Íamos bem tocados, tínhamos dividido umas 20 cervejas e ainda fumamos. Estávamos bem alegres e ríamos despreocupadamente. Ao chegarmos à estação, a senhora cuja voz automática anuncia a origem e o destino dos comboios que chegam, disse que estava a chegar um comboio em direcção a Coina. Com a sensibilidade modificada pelo álcool e a droga, o Arnaldo recebeu aquele anúncio da forma esperada para o brejeiro que é. Soltou uma grande gargalhada e repetiu "Coina" várias vezes imitando o sotaque português de forma absurda, enquanto se ria. Começou a abordar as pessoas, claramente alcoolizado repetindo estas frases "queres ir à coina?", ""queres ir para a coina comigo?", "vamos para a coina?". Abordava principalmente mulheres jovens, que simplesmente o ignoravam. Quando começou a ignorar o "i" presente em Coina e a fazer a pergunta praticamente a toda a gente que passava, segurei-o e pedi-lhe para ter juízo. Ele continuava a rir-se.
- Vocês não sabem o que "Cona" quer dizer em galego...
Olhei-o com a expressão que costumo ter quando me tomam por burro, revirando os olhos nas órbitas.
- Quer dizer exactamente o mesmo em português. - Foi a resposta que lhe dei, num tom paciente
Ele ficou pasmado.
- Então e foram dar esse nome nome a um lugar?
- Tem muita prostituição. - Respondi eu de forma segura, enquanto entrávamos no comboio.

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