terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Comiseração (56) (P)

Toda esta dor no meu peito vem canalizada sobretudo do meu último erro. O arrependimento enche a minha alma até cometer um novo erro, e então é esse que se torna a nova dor, enquanto a angústia causada pelo erro anterior vai esmorecendo. Eu estou sempre a cometer erros, grandes erros, pequenos erros, timidezes que me destroem. Ontem foi a dança não dançada com uma pequena jovem sul americana de olhos negros exótico-hipnotizantes que me sorriam convidando o amor a entrar nas nossas vidas comuns, mas a grande barreira venceu mais uma vez e eu fui incapaz de transpo-la, de vencer o grande medo e então fiquei para ali, acanhado, dançando solto como um idiota às voltas e perdendo tudo, tudo, fazendo de conta que não queria nada com ela, mas sabendo que queria, mas escondendo por medo...Agora estou com o coração desfeito, a anos luz da felicidade, sentado numa cratera deserta a ver romanticamente as estrelas enquanto fumo um cigarro e penso que é um pensativo cigarro, enquanto esses pensamentos só me afundam mais na minha dor e na lembrança da rapariga venezuelana e dos seus olhos negros que me surgem libertos do seu corpo pairando à frente dos meus, como sempre acontece com os olhos que me obcecam (perseguem-me como duas bolas para onde quer que vire os meus sonhos).  Estou à espera da próxima angústia, que há-de chegar em breve, quando voltar a disparatar em vez aproveitar dignamente as oportunidades para a felicidade que me vão surgindo.

Nadir Veld

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