quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Amores que odeiam (P)

Ao passarem por mim as mulheres ajeitam os óculos com dedo do meio
Só porque tive a distinta lata de medir o tamanho do seu apetitoso seio
E lançam-me cruéis esgares e decerto também olhares de ódio cheio

A mais nobre e educada donzela cospe no chão à minha passagem
Se me cruzo com elas à beira rio elas queriam estar na outra margem
Se vêem numa rua deserta voltam atrás após apocalíptica travagem
Deixando claro que o seu amor é uma miragem

Quando lhes pergunto as horas
Insultam-me sem demoras

Ao passarem por mim sussurram maldições entre dentes
Sei que só a minha morte as deixará contentes
Que posso fazer para ser igual às outras gentes?

Nadir Veld

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