segunda-feira, 18 de julho de 2016

Não Gosto (48) (P)

Não gosto de não conseguir adormecer. Para mim, é um grande sentimento de impotência, ficar às voltas na cama, sem conseguir pregar olho, vendo, por vezes, a manhã solarenga esgueirar-se entre os buracos da persiana, o que me causa um imenso peso na alma. Eu, pelo menos, sinto-me um verdadeiro idiota e censuro-me pelo tempo que perco a debater-me com os lençóis húmidos do suor de uma noite de verão e, por vezes, sinto-me tão quente que acho que vou arder de loucura enquanto dou voltas e voltas em busca da posição perfeita e nunca consigo acabar com essa pequena farsa que é estar para ali, às voltas na cama a ver se durmo. Era simples: levantava-me da cama e ia fazer outra coisa, mas sou incapaz, fico sempre à espera que o sono chegue e, por vezes, demora horas. Uma coisa que me costuma ajudar a adormecer é a masturbação. Costumo masturbar-me duas, três vezes por noite, mais caso esteja com muita dificuldade em adormecer. Depois disso fico mais relaxado e é mais fácil passar a ser embalado pelos braços letárgicos de Morfeu. Falo em "passar" porque se dá, de facto, uma transição. Quando o ser humano está na cama com o intuito de dormir a única coisa que quer é entrar naquele estado de descanso a que todos devemos dedicar algum tempo dos nossos dias. É um descanso diferente, uma vez que precisa da inconsciência para poder existir. O sono é um mistério tão grande que nós nem nos conseguimos lembrar do exacto instante em que nele entramos. Quando nos tentamos lembrar desse momento, encontramos sempre um vazio entre a última recordação e a inconsciência. Uma das coisas que mais desejo na vida é descobrir o segredo, ser capaz de fazer alguma coisa que desencadeie o sono (mais do que paivas e outras drogas). Quando descobrir esse segredo partilhá-lo-ei com os meus irmãos do mundo, até lá passarei muitas horas sem dormir.

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