quinta-feira, 28 de julho de 2016

Não Gosto (52) (PP)

Não gosto nada das traduções que Jorge de Sena fez das obras de Ernest Hemingway. Só li dois livros de Hemingway traduzidos por ele, O Velho e o Mar e Fiesta (The Sun Also Rises). O Velho e o Mar já li há algum tempo, não me recordo ao certo das passagens que mais me revoltaram e desiludiram, mas agora ando a ler Fiesta, que encontrei e roubei de um Hostel de Budapeste, que, para minha grande surpresa tinha um livro em português. Há muitas passagens que me deixaram imensamente estupefacto, vou dar apenas alguns exemplos: “Durante certo tempo a paisagem era bastante a mesma”, “Cohn ia ver se arranjava a fazer a barba”, “Em poucos momentos a choca o foi buscar, amansou-o e fez dele parte da manada”. Recordo que isto são só exemplos. O livro está recheado de frases que não fazem qualquer tipo de sentido, parecendo ter sido escritas por crianças. Para além desses erros há uma frase em que o “há” é trocado por “à”, uma nota de rodapé em que Jorge de Sena se refere aos “peles-vermelhas”, usando um termo super racista, em vez de usar “nativos americanos” ou simplesmente “índios” e há também o uso constante da palavra “grosso” como sinónimo de bêbedo. Muito raramente nos meus quase 60 anos de vida ouvi alguém a usar a expressão “grosso” para se referir à ebriedade. Por que raio é que ele optou por usar uma palavra que se perdeu no tempo para se referir à bebedeira? Não faço nem ideia. Não sei se ele fez estas traduções contra-vontade, ou à pressa só para juntar uns trocos, o que é certo é que não têm ponta por onde se lhe pegue e só mancham a sua carreira de escritor.

Sem comentários:

Enviar um comentário