sábado, 6 de agosto de 2016

Os Diários Lunáticos de Zenit Saphyr (14 de Julho de 2016)

Hoje estava a cruzar a cidade de Subotica em direcção à estação de camionetas, para me ir embora desta cidade no norte da Sérvia e, por alguma razão, comecei a trautear a canção 'Foi na Cruz' de Nick Cave and the Bad Seeds'. Não encontro nenhuma explicação plausível para a estar a cantar naquela altura, mesmo depois de muito ter reflectido sobre isso. Vi uns rapazes húngaros a jogarem ténis na rua, mas isso não me fez pensar em religião nem em desolação, apenas no Novak Djokovic. Quando cheguei à estação liguei ao meu amigo Ricardo para lhe dizer a que horas chegava a Novi Sad e ele fez-me saber que Hector Babenco tinha morrido. Eu e ele partilhamos um grande amor pelo filme 'Pixote' realizado por Babenco. Foi um grande choque porque eu vinha a cantar a canção "foi na cruz, foi na cruz, que os meus pecados castigaram seu jesus" e essa música aparece no filme do qual Nick Cave é um grande fã, por isso compôs uma música em que até canta em português em homenagem ao filme e ao actor de 'Pixote, a lei do mais fraco' falecido prematuramente. Percebe-se porque Nick Cave gosta do filme. É uma história muito triste que relata a mais suja miséria de um podre Brasil. É uma grande coincidência, com morte ao barulho, eu estar a cantar essa música e depois saber que o Hector Babenco morreu. Chocou um pouco o meu coração e fez-me, mais uma vez, achar que há alguma ligação entre mim e a morte.

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