segunda-feira, 18 de abril de 2016

Comiseração (57) (P)

Oh, meu Deus, os meus colegas de turma estão a tentar matar-me! Eles são tão desinteressados e cretinos de nova geração que o meu coração se arrepia com tamanha falta de consideração pelo conhecimento e desenvolvimento pessoal. A professora estava a exibir um filme e estávamos apenas quatro estudantes na sala, mas apenas eu e uma colega estávamos a prestar atenção ao filme que ela nos queria exibir para contextualizar historicamente o espírito eslovaco dos anos oitenta. Um dos meus colegas estava a ver vídeos no telemóvel com os seus auscultadores num volume tão elevado que incomodava a visualização do filme que todos devíamos estar a ver, mas que ele, com o seu espírito tacanho e energúmeno estava a ignorar enquanto soltava ocasionais gargalhadas estupidificantes para a atmosfera. Enquanto este gajo mostrava o seu desinteresse pela vida ignorando uma película histórica, outra das minhas colegas atirou a sua cabeça para a mesa e desistiu de ver o filme quando ainda passava a ficha técninca inicial com o nome do realizador e dos actores. Ela desistiu de apreciar a qualidade do filme aos 20 segundos da obra, quando rolavam interessantes planos de Bratislava nos anos 80, a cidade que partilhamos e pela qual deveríamos mostrar um grande interesse, porque devemos aprender incessantemente, como cavaleiros loucos sedentos de sabedoria e glória para vencer os imperiosos dragões do mal! Já, noutra aula, quando discutíamos a Perestroika e vimos um pouco do Couraçado de Potemkine (as cenas da escadaria de Odessa) para contextualizar o início do comunismo soviético, notei que eles, em vez de preferirem apreciar a espantosa edição de Sergei M. Eisenstein, preferiram actualizar o seu feed de notícias e sorrir estupidamente para o brilho dos seus telemóveis.
Estes comportamentos fazem-me perder ainda mais a esperança na humanidade...

Nadir Veld

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