Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Ivos Strapunaris

Assoltin Ossel de Ivos Strapunaris

O meu amigo Ivos mandou-me hoje um e-mail com o seu novo livro, “Assoltin Ossel”, pedindo-me para divulgar um excerto nas minhas redes sociais e no meu blog. O Ivos tem um grande orgulho neste livro, dizendo que se trata de uma das suas obras mais importantes e que esteve vários anos a escrevê-lo. A grande peculiaridade deste texto, que salta aos olhos logo na primeira frase, é que ele é escrito numa língua completamente desconhecida, com palavras que vão sendo inventadas pelo autor à medida que vai escrevendo, naquilo que pode parecer um exercício de pura lunacia, mas, quando analisado mais de perto, também pode ser visto como uma interessante reflexão sobre os tempos modernos em que tantas pessoas escrevem tantas coisas e têm tantas opiniões mesmo que estejam a dizer coisas tão válidas como as dispostas nas 470 páginas deste “Assoltin Ossel” do grande Ivos Strapunaris. Agorkonos leíos belav, delí meiun balidol kanko vari. Émios delius krygarl, fagajestus mûlti. Na kak d...

O Meu Poder (6) P

Por vezes tenho o poder de invocar relâmpagos e trovões. Isto não se trata de uma coisa que eu consiga fazer sempre, está mais que provado que nem sempre que eu quero que caía um trovão acabe por cair um trovão, mas a única vez que eu fui confrontado com a obrigação de provocar um trovão, consegui provocá-lo bradando aos céus para que ele surgisse. Estava na Roménia nas rodagens de um filme do meu grande amigo Ivos Strapunaris sobre uma pobre família da região dos Cárpatos e chovia a cântaros num dia em que já tinha havido alguns trovões, contudo nenhum desses trovões tinha sido captado pela câmara de filmar. O plano que filmávamos mostrava essa família a transportar um caixão com o cadáver da avó para uma aldeia vizinha com o intuito de a enterrarem lá, uma vez que não havia cemitério no triste e abandonado lugar em que viviam. Era um plano lento, muito fúnebre e violento. A família era fustigada pela intempérie e as crianças quase que voavam levadas pelo vento. As gigantes montanhas ...

Gosto (63)

Gosto daquilo a que chamo 'um céu de incêndio'. Claro que não gosto de saber que, algures nas redondezas, há uma linda floresta com maravilhosas árvores a morrerem cruelmente, queimadas, consumidas por um fogo intempestivo, mas o fumo que sobe aos céus no momento da incineração das pobres árvores forma uma espécie de cortina à frente do sol que funciona como os filtros que se colocam à frente dos projectores que iluminam as filmagens para dar à cena um aspecto mais adequado com o que se está a passar naquele momento do filme e com o que o realizador quer transmitir ao espectador. Esse fumo transforma a luz do sol e converte-a numa luz ainda mais quente, alaranjada em vez do tom amarelo habitual e eu adoro essa cor, essa luz, por isso, contemplar paisagens com essa iluminação, dá-me um enorme prazer e posso ficar horas a ver essas cores caírem nas casas e nos caminhos. Quando o fumo é muito escuro dá à atmosfera um tom sombrio que também aprecio sobremaneira. Até nem desgosto do...