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Os Diários Lunáticos de Zenit Saphyr (2 de Agosto de 2013) - A Fuga de Fuzeta

Os meus olhos determinados brilham loucamente, iluminados pela forte luz amarela do fogo que consome a casa agora crepitante onde vivi. Vastas chamas estendem-se a uma altura de 5 metros acima da parte mais alta da casa. Sinto que atirei para trás das costas um passado recente que me repugnava. A casa protectora, com o seu tecto e as paredes criando a ilusão de segurança (ou uma segurança real que é um mau sentimento, como se nos deixasse prostrados) desaba agora para todo o sempre e eu contemplo maravilhado o seu desaparecimento. A gasolina, dispersa em posições estratégicas dentro de casa, ajuda à combustão, criando efeitos magníficos. De uma das quatro janelas da minha pequena casa sai um braço de fogo incrível, uma espiral alucinante consumindo o vazio. Sei que sonhei com uma vida de reclusão, escrevendo livros para ganhar a vida, mas esse sonho não durou muito, cedo me apercebi que não tinha capacidade nem talento para escrever bem. Os grandes escritores têm de trabalhar muito par...

História da vida de Zenit Saphyr (1ªParte)

Nasci em Tapuy-Porã (Rancho Bonito na língua índia tupi-guarani), no estado do Mato Grosso do Sul corria o ano da graça de 1959. A minha mãe, originária de São Paulo, era pobre, mas criava-me dando-me tudo o que eu desejava, pois o meu pai ausente continuava presente, de certa forma. Eu sentia-o na aldeia, mas não sabia quem era. Tive uma infância feliz, ajudando na construção da cidade que se viria a chamar Mundo Novo. Como o lugar ainda era um pouco selvagem tinha uma fauna variada e eu tornei-me especialista em matar cobras aos sete anos. Era um apaixonado por futebol e por livros. As proezas de Pelé com uma bola maravilhavam-me e eu pensava nele como um genial artista. Acho que apenas por duas ou três vezes vi realmente o Pelé jogar...grande parte do encanto que eu tinha era a imaginar as jogadas que me eram relatadas pelos homens mais velhos e entendidos. Eu ouvia-os avidamente. Como ainda não existia escola naquele lugarejo quem me ensinou a ler foi Adjalmo Saldanha, um dos funda...

Todas as Pessoas do universo de Zenit Zohar Saphyr

Zenit Saphyr - Eu, nascido no Brasil de mãe caucasiana, fugi de casa ainda antes da minha adolescência e fui educado por índios que me passaram uma visão do mundo muito particular. O meu grande objectivo de vida é fazer com que o meu dia de amanhã seja ainda mais extraordinário que o dia de hoje, subindo sempre na escala de felicidade que a vida me proporciona. Nadir Veld - Meu principal personagem. O seu nome, em astrologia, significa "o ponto da esfera celeste exactamente por baixo do observador", o que é exactamente o contrário de zénite. Ele também é o oposto do que eu sou, um indivíduo deprimido, sempre de cabeça baixa, seguro de que o melhor caminho para si é o suicídio, que o libertará de todas as dores. Alvos Millar - A estrela da morte. Esta personagem é a entidade pura que conduz as almas depois da sua libertação do corpo e escreve poemas sobre essa passagem, que nem ele compreende totalmente. Homem-Orquestra - O Homem Orquestra, que reproduz todos os sons do ...

O Meu Poder (IV) P

Quando estava em New York o meu amigo polaco Zbigniew Padniewski disse-me algo que me intrigou e ainda recordo claramente, apesar dos meus consumos da altura. Eu falava-lhe sobre querer escrever a história da minha vida, quando ele, sorrindo disse "no, no, no!", acompanhando a negação com o balançar dos dedos negativamente; bebeu um gole e lapidou "You zenit, you no writer, you, you watch, and you totally see". Entendíamo-nos perfeitamente com os nossos modestos ingleses e eu compreendi a sua triste frase...ele queria dizer, e o seu olhar confirmou-mo, que eu entendia todas as coisas a um nível superior e que era impossível colocar isso em palavras, ou seja, para ele, eu era como uma árvore que presencia silenciosamente tudo o que passa à sua volta sem sair do lugar em que está, sem aparentemente ser influenciada por nada. Como eu acredito no espírito das árvores sei que é preciso uma chama muito intensa para derreter um coração de gelo.

O Meu Poder (III) P

Muitas vezes perguntam-me quando me comecei a sentir mais poderoso, mais ciente; no fundo, mais capaz de interpretar as ocorrências da existência. Recordo-me muito bem do dia em que senti esse poder sobre-humano invadir o meu corpo e transparecer em todos os meus actos. Estava deitado de barriga para cima, contemplando tranquilamente no escuro céu o silencioso brilho das estrelas, gozando a ociosidade da aldeia índia depois da noite cair, a 10 minutos da minha cabana, quando vi um esplendoroso brilho prateado rasgar o céu. Um delicado e curvo traço de luminosidade branca, apagou as estrelas ao céu redor. A lua nova deixara de o ser e o primeiro brilho de um novo ciclo lunar aparecia nas alturas, mesmo por cima de mim, no zénite do lugar onde estava deitado e o seu inesperado brilho encheu os meus olhos de luz divina e aclarou os meus pensamentos desde esse momento, há cerca de 40 anos, até hoje e, espero, para o resto dos meus iluminados dias. Salvé à graciosa lua, astro da noite.

O Meu Poder (I) P

Quando acordo e me recordo que tenho cem mil anos, que procriei com a Lucy e que 90 por cento da população humana actual é minha descendente directa, sinto-me melancólico e realizado. Vejo as multidões passarem pela minha janela, prestando-me um olhar de reverência. A minha luz seduz até o que está na cruz e eu deixo-O caminhar comigo, mas ele sabe que também é meu súbdito, que me deve vassalagem. Nas principais avenidas, o meu olhar angélico continuará a trazer a felicidade à humanidade, e assim continuarei o Eterno, o Pai dos Povos - Aquele que teve todas as Crenças e agora é Deus..

Por Terras catalãs - O Início da Viagem

Entre o querer ter o ter, cai na sombra o ser. Entre o querer e o fazer há muito para correr. Eu gosto de roubar o tempo Sou o dobro da idade que costumava ter E metade do homem que sonhei Este é zenitiano mais triste, pois estou amargurado na minha rotina e vou matá-la amanhã....parto para África, porque quero ser o triplo de um homem que nunca fui...Vou sair agora de Andorra-la-vella, tenho uma boleia às quatro que me deixará algures na Catalunya. E continuarei descendo pela meia lua da linha da vida, aqui e ali, buscando vida e glória. Como conto escrever o que se passa tentarei fazer um diário, ou algo do género....eu sei que vai surgir muita demência só porque a atraio e essa electricidade manté-me ligado.

Bigger than Life (Nicholas Ray, 1956)

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Este filme de Nicholas Ray dá-nos a conhecer uma personagem que fica doente e à qual é receitado um medicamento que lhe perturbará a paz interior, deixando-o em constantes delírios psicóticos incapaz de lidar até com a sua família, Eu também senti várias vezes medos semelhantes, ainda que não tenha estado tempo suficiente com uma mulher para termos um filho tão velho como o de Ed. O consumo da droga torna-o viciado e demente, começa a dizer coisas sem sentido e ameaça até assassinar o seu próprio filho, como oferenda a Deus para o salvar dos problemas do mundo. O medo que me acontecesse algo semelhante foi uma das principais razões pelas quais fugi de todas as minhas famílias...Uma imagem recorrente, que me persegue em sonhos demenciais, sou eu, sem o mínimo coontrolo sobre mim e sobre os meus actos, a erguer uma gigantesca pedra contra uma indefesa criança...não consigo controlar-me e....e a pedra cai...eu nunca fiz mal a ninguém indefeso e que não o merecesse, em toda a minha vida, m...

A Cronologia da minha vida

1959 - Nasço em Tapuy-Borã, no Sul do Brasil. Não conheço a identidade do meu pai. A minha mãe cria-me com carinho e baptiza-me. Agora chamo-me Zenit Saphyr, os meus amigos tratam-me assim, mas em tempos chamei-me Zênite, a forma abrasileirada de Zenit. 1963 - Oscar Zândavalli, amigo de minha mãe, é brutalmente assassinado. Ele oferecera-me a primeira bola que eu tive e era muito próximo de mim. Senti a sua falta. 1964 - Adjalmo Saldanha, um dos principais fazendeiros de Tapuy-Borã/Mundo Novo e um dos homens mais importantes da aldeia, ensina-me a ler e a escrever, com a ajuda de outros locais. Aprendo rapidamente e começo a ler bem nesse mesmo ano. 1965 - Neste ano comecei a embrenhar-me em leituras profundas com apenas seis anos! A minha mãe tinha muitos livros em português que lhe foram legados por um amigo inglês que conhecera em São Paulo, Jack Goodman. Nunca me esquecerei do nome deste senhor cuja história de vida foi bastante trágica. Era um poeta cheio de talento, mas su...

Wild as Zenit Saphyr

Essence of existence A Free Soul with no body A New Evening Star The Cosmic Man We wish we entered in the mornings Wild as Zenit Saphyr John Waterson um poema precioso sobre mim escrito pelo ámigo John Waterson Um abraço no tempo para ele! "Uma alma sem corpo" - Tocante...gostei mesmo bravo mano! Obrigado.

Gosto (IX)

Aprecio muito a LIBERDADE e orgulho-me da forma como conquistei a minha. Aos treze anos fugi de casa por uma razão que agora reconheço ser parva e insuficiente para abalar alguém maduro, mas essa fuga acabou por se revelar fulcral no meu desenvolvimento. Um conselho para todas as crianças: FUJAM DE CASA E AVENTUREM-SE PELO MUNDO, porque " aqueles que desistem da liberdade essencial em troca de um pouco de segurança temporária não merecem liberdade nem segurança "! A frase é de Benjamin Franklin, um pensador Americano.  

Não Gosto (XI)

Não gosto de  voltar atrás ...A história da minha vida mostra isso exemplarmente...Nas minhas viagens, na minha vida nunca voltei a lugares onde fui feliz e estive muito tempo...No meu coração e nos meus sentimentos não sinto necessidade de rever as pessoas de que gostei...a minha vida avançou pora aí fora, pelo Planeta Magnífico a um ritmo alucinante como um comboio desgovernado e em progressão infinita sem nunca encontrar o abismo!...Voltar atrás significa ter de REver e em certas vezes REfazer coisas e isso, para mim, é muito aborrecido...Quero sempre novas coisas, desejo surpresas a todas as esquinas! É isso que me move! Um louco desejo de um infinito de coisas para conquistar, até paisagens sublimes e pores do sol em África, o meu desejo!

Grito de Raiva

Acima de tudo não sou a escuridão, por isso posso proporcionar-vos alguma luz, camaradas! De onde estou de nada posso condenar-vos...Há erros em muitas das minhas atitudes, por isso por que não haveria de havê-los nos outros?... Escrevo esta nota para pedir desculpa pelo inadmissível início deste blog, sem uma apresentação, sem nada...Quem viu este início, recheado de meros copy pastes de poemas publicados noutras zonas, pode pensar que sou um poeta, coisa que rejeito...Acima de tudo sou um profeta, muito dado a profecias...Gosto de comer o passado dos vossos olhos para vos irradiar um grande futuro, toda essa esperança, no horizonte de todos nós...Não sou um poeta, não sou nada dessas coisas...sou um homem...um homem sem bandeira que acima de tudo louva as relações com outros seres vivos da mesma espécie...gosto de intimidades...gostos de intimidades distantes...Gosto de fugir, às vezes...Chegam a confundir-me com ninjas na escuridão...ninjas na escuridão...Sofro de uma balada româ...