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Estrelas

O dom das trevas luta com a luz diagonal O som das quedas Deixa o mundo horizontal E com as merdas No muro o quintal Com as cebolas das maçãs Descascadas na horizontal Caindo desgraçadas Na escada diagonal das estrelas descendo ao inferno de sal nas noites morrendo no mundo do mal De candeias ardendo Erguidas normal Contra a noite abismal As estrelas foram candeias concedidas pelas entidades celestes para que nos guiássemos na noite eterna. Com poderosas são essas centelhas que ardem na distância alumiando tudo o que de irrelevante se passa neste pequeno e miserável planeta prestes a ceder à sua população subitamente alucinada por alguma droga que anda a circular. As estrelas são os fachos da iluminência com os seus implacáveis raios iluminando o Novo Mundo de diques com água escorrendo para as planícies verdejantes e sustentáveis. A opinião começa a circular e é demasiado boa. Essas luzes convertem em poder o tempo e dão nova vida às saudades indecifráveis de um podero...

Nevoeiro

Olhem aqui, ainda estou nas trevas Já passou meio milénio O nevoeiro está sempre denso E tu não apareces Alguém falou de uma vitória A conquista de um lugar Mas o que ficou na história Foi um exército ao luar E a espada fora do lugar Olha aqui, ainda estou na bruma Vejo luzes na penumbra E oiço os gritos da batalha Sozinho numa mortalha Olha aqui, estou sozinho Vi os anos a passar Vi as mortes a chegar E a esperança mandada enterrar Petrogul Al-Saphyria

Petrogul, vários textos

Então, dança um mundo para girar, lança um rumo para atirar no ventre da lucidez indistinta Na memória, os voos de meia asa comemoram com brado na vitória e aquela meta passou à história Com um reflexo atingimos a luz E deixamos um biscoito de morango com forma de coração E aos Deuses dirigíamos uma oração que a bendissesse para a história Enquanto fugíamos das avenidas passageiras Sem saber onde tínhamos os joelhos Destruídas as nossas telhas Perdidas as bagageiras Eis que te ajoelhas E pedes a Deus umas vidas ligeiras Petrogul Al-Saphyria É para ganhar, é para perder É para derreter, para arder Viciar em morrer É viver para ver É sentir para crer O fim de tudo a aparecer Petrogul Al-Saphyria

Coração Sangrento

Esta noite o meu coração sangra A longa rua está silenciosa E na linha da lua, a milagrosa, os dias estão a fechar-se violentamente e as vidas a perder-se lentamente olho para cima, ainda não estou encurralado tenho asas, mas não quero voar do centro da cidade para o centro da minha dor Tenho sede, tenho calor tanto medo e tanto amor Petrogul Al-Saphyria Appendice A Coroação cinzenta do Coração sangrento  Cor da canção do pensamento Violento como faíscante golpe de desconhecimento

Nada Personal (Soda Stéreo)

Nada Personal Comunicación sin emoción una voz en off con expresión deforme busco algo que me saque este mareo busco calor en esa imagen de video Nada, nada personal nada, nada personal Ella no puede pensar, esta aburrida de tanto simular cayó dormida busco en tv algún mensaje entre líneas busco alguien que sacuda mi cabeza y no encuentro nada, nada Nada personal nada, nada personal nada especial Sinceramente sería tan bueno tocarte pero es inútil, tu cuerpo es de látex y no siento nada Nada personal nada, nada personal Nada Pessoal Comunicação, sem emoção Uma voz em off  com expressão Disforme Procuro algo que me tire deste torpor Procuro calor nesta imagem de vídeo Nada Nada Pessoal Nada Nada Pessoal Ela não pode pensar, está aborrecida De tanto simular caiu adormecida Procuro na TV alguma mensagem subliminar Procuro alguém que sacuda a minha cabeça E não encontro nada Sinceramente, seria tão bom tocar-te Mas é inútil, o teu corpo é de lát...

Cuando estes aca (La Renga)

Quando estiveres cá vais ter espaço E uma frágil forma de existir Vendo-te nascer, quem pode ver Um mundo para destruir? Olhos que não vêem, corações que não sentem E tu estás por chegar A cada instante haverá uma flor E em cada flor haverá um instante Em que a vida se mostre Diante destes olhos néscios Quando estiveres cá, vais ter o teu tempo O mesmo que não tem fim Num mundo assim, onde está o teu lugar Quem pode a água envenenar? Olhos que não vêem, corações que não sentem E tu estás por chegar A cada instante haverá uma flor E em cada flor haverá um instante Em que a vida se mostre Diante destes olhos néscios Quando estiveres cá terás espaço, tempo E algo por que lutar Ver-te crescer e tornar-te forte Que mais há por que viver? Olhos que não vêem, corações que não sentem E tu estás por chegar A cada instante haverá uma flor E em cada flor haverá um instante Em que a vida se mostre Diante destes olhos néscios Petrogul Al-Saphyria

Corazón Delator (Soda Stéreo)

Um chamariz Há algo oculto em cada sensação Ela parece suspeitar Parece descubrir Na minha debilidade Os vestígios de uma fogueira Oh, o meu coração torna-se delator Traindo-me por descuido Fui vítima de tudo alguma vez Ela não pode perceber Já nada pode impedir na minha fragilidade É o curso das coisas Todo o meu coração se torna delator Abrem-se as minhas algemas Uma leve chicotada uma premonição Evocam chagas nas mãos Uma doce palpitação Uma chave íntima Vão caindo dos meus lábios Um sinal Há algo oculto em cada sensação Ela parece suspeitar Parece descubrir Em mim Que aquele amor é como um Oceano de Fogo Oh, o meu coração torna-se delator A febre voltará Uma leve chicotada uma premonição Evocam chagas nas mãos Uma doce palpitação Uma chave íntima Vão caindo dos meus lábios Como um mantra Dos meus lábios Dos meus lábios Petrogul Al-Saphyria

Cuando Pase el Temblor (Soda Stéreo)

Quando acabarem os espasmos Eu, caminharei entre as pedras Até sentir a convulsão Nas minhas pernas Às vezes tenho medo Eu sei-o Outras vezes vergonha Estou sentado numa cratera deserta Continuo a aguardar a convulsão No meu corpo Ninguém me viu partir Eu sei-o Ninguém me espera Há um buraco no meu coração Um planeta com desilusão Sei que te encontrarei nessas ruínas Já não vamos ter de falar Da convulsão Beijar-te-ei no tremor Eu sei-o Será um bom momento Há um buraco no meu coração Um planeta com desilusão Acorda-me quando acabar a convulsão Acorda-me, acorda-me Petrogul Al-Saphyria

Balada del Diablo y La Muerte (La Renga)

Balada del Diablo y la Muerte Estaba el diablo mal parado en la esquina de mi barrio ahí donde dobla el viento y se cruzan los atajos, al lado de él estaba la muerte con una botella en la mano; me miraban de reojo y se reían por lo bajo y yo que esperaba no sé a quién, al otro lado de la calle del otoño, una noche de bufanda que me encontro desvelado entre dientes oí a la muerte que decia así: -"cuántas veces se habrá escapado como laucha por tirante, y esta noche que no cuesta nada nisiquiera fatigarme podemos llevarnos un cordero con sólo cruzar la calle". yo me escondí tras la niebla y miré al infinito a ver si llegaba ese que nunca iba a venir, estaba el diablo mal parado en la esquina de mi barrio al lado de él estaba la muerte con una botella en la mano. Y temblando como una hoja me crucé para encararlos y les dije me parece que esta vez me dejaron bien plantado, les pedí fuego y del bolsillo saqué una rama pá convidarlos y bajo un árbol del otoño...

Esquizo (projecto inacabado)

Dá-me uma doença com um nome Uma doce pérola Um caminho para já, mesmo que ele dê em mil caminhos Que são só destinos paralelos dados pelo tempo indefinido (Será mesmo que já passou?) Terão sido isto as horas? É assim que te chamam? Sem saberem o teu nome? Esqui, Esque, Esquece, esquizo, esquizozo, Esquizofrântico... Velai-me esta noite A candeia está acesa Com fogo de certeza Amigos, dai-me a esperteza De evitar um novo açoite De me perder nesta noite Me desmanchar nesta noite Todo o ritmo é uma nota para a noite E toda a noite nada no ritmo das estrelas Cruzando os rios à luz de imaginárias velas Dos anjos que me acompanham Esqui, Esque, Esquece, esquizo, esquizozo, Esquizofrântico... Petrogul Al-Saphyria

Ao menos dêem-me o desconto de ser doente mental

Coro de vozes de choro no desamparado hospital Ao menos dêem-me o desconto de ser doente mental Se tentar voar não pode ser um erro acidental Ao menos dêem-me o desconto de ser doente mental Ataques de imaginação prenunciam colapso cerebral Ao menos dêem-me o desconto de ser doente mental Não consigo ser frontal Sou muito pouco temperamental Como esse é o meu erro fatal Ao menos dêem-me o desconto de ser doente mental Se sonho com banhos em sangue rival É porque não suporto mais este apocalipse sentimental Ao menos dêem-me o desconto de ser doente mental Num mundo em que estar vivo é ilegal, um sonho irreal Ao menos dêem-me o desconto de ser doente mental Presidentes e Generais a tentar destruir o mal Tu Perguntas 'qual é qual'? Ao menos dêem-me o desconto de ser doente mental Analistas, comentadores à procura do fundamental De uma verdade vital Mas é só um jogo experimental Não se deixem enganar pelo doutor Ajintal A sua verdade impoluta é só um go...

Palavra Dimensão

Se a palavra é uma dimensão O tempo é uma inovação Na estrada da emoção Navio proa ilusão Com vento de sedução Horizonte sem razão Estende-se para lá da visão E sente-se na palma da mão um confuso coração Para lá de todo o perdão Para lá de todo o perdão Petrogul O jovem Petrogul cantou esta música no concerto que deu numa pequena aldeia durante uma festa popular. Ele soube animar as gerações com o seu personagem de palco de estrela de rock. Muito raivosos algumas das músicas. Petrogul Al-Saphyria partilha comigo a sua fúria contida (e alguma até é libertada através dele, sonhando-me em palco a abalar as fundações do mundo moderno com as verdades grotescas que jamais libertarei.