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Por Terras Catalãs (Dia 1) (II)

Finalmente consegui! Arranjei boleia às dez horas da manhã, quando a minha reputação na estação de serviço ia aumentando, e eu estava mais disposto a parecer bem a uma empregada venezuelana muito simpática que por lá se apresentava do que a importar-me em sair dali (porque se está preso num pardieiro quando se está em bombas de gasolina), porque estava a viver mesmo o ritmo da vida, o que só me acontece quando estou muitas horas sem dormir, porque se o fizer depois tenho de recomeçar tudo de novo. Estava alerta e seguro de chegar à hora que eu quisesse a Lleida. Eu tenho a teoria que quando se parte confiante para a estrada com o polegar apontado para o céu convidando o desconhecido a entrar na nossa vida, quando se tem muita segurança do que se está a fazer, quase ninguém recusa dar boleia. Só temos de jogar o jogo certo. comecei este texto com "finalmente consegui" e nem expliquei que o que se passou foi que hoje me chamei Oriol. Nessa boleia das dez da manhã, um casal de...

Por Terras Catalãs (Dia 1)

Tomei a decisão de partir de um momento para o outro, por ter visto esta oportunidade de escapar. Estava num bar e apareceu um português e tivemos a conversar e a beber uns copos. Ele vai para Portugal de férias do trabalho em França (já nem me lembro do que faz) e por esta hora arranca estrada fora para uma longa viagem, deixando-me numa estação de serviço pouco movimentada. Ele já estava meio tocado pelo álcool, por isso vim eu a guiar, rasgando o alcatrão com a atenção focada na vida e com o olhar perdido naquela zona indefenível entre a obsessão e a melancolia.Fico sempre triste quando me vou embora, temporariamente cativo no meu pensamento das coisas que podia ter feito, mas que nunca farei.  Só passei por casa para pegar na mochila e atafulhar lá para dentro os papéis e algumas peças de roupa.  Por volta das seis e meia da manhã ele deixou-me numa estação de serviço antes de Lleida, cidade que pretendo visitar. Agora são sete e um quarto. Olho para esta mochila avol...

Por Terras catalãs - O Início da Viagem

Entre o querer ter o ter, cai na sombra o ser. Entre o querer e o fazer há muito para correr. Eu gosto de roubar o tempo Sou o dobro da idade que costumava ter E metade do homem que sonhei Este é zenitiano mais triste, pois estou amargurado na minha rotina e vou matá-la amanhã....parto para África, porque quero ser o triplo de um homem que nunca fui...Vou sair agora de Andorra-la-vella, tenho uma boleia às quatro que me deixará algures na Catalunya. E continuarei descendo pela meia lua da linha da vida, aqui e ali, buscando vida e glória. Como conto escrever o que se passa tentarei fazer um diário, ou algo do género....eu sei que vai surgir muita demência só porque a atraio e essa electricidade manté-me ligado.