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Os Diários Lunáticos de Zenit Saphyr (11 de Novembro de 2015)

Quando acordo, passo as minhas mãos lentamente pelo meu corpo ainda quente do sono restabelecedor e penso em toda esta carne efémera que cobre os meus ossos e imagino-me no caixão, fazendo o mesmo gesto enquanto esqueleto, passando a minha mão despida de carne e apenas de ossos constituída pelas minhas costelas e imagino o som que faria, um som tão musical. Faço percussão com os meus distintos ossos, percorrendo o meu corpo melódico buscando os mais belos sons. Toque onde tocar o som está sempre a mudar. Gosto particularmente de tocar com o osso da ponta do dedo indicador com um ritmo melódico no centro do meu crânio vazio. O som ecoa muito belo. Serei um esqueleto musical na minha tumba solitária e divertir-me-ei a mim próprio até para lá da eternidade.

Infernos estrangeiros

Per me se va ne la città dolente Per me se va ne l'etterno dolore Per me se va tra la perduta gente Lasciate Ogne esperaza voi qu'intrate (These are the gates of the world These are the gates of the world) Starlords, empire builders, imposed this language We use it 'til it fades Crushed Material torn the conquest False start Try Again? New Hell All New Hells For Here You Go To The Forgotten Kingdom For There You Go to The Eternal Walk  Así se va como en infierno claro, Mañanas esperando hacia el nuevo Infernos diferentes fechados na linguagem Diferente mas infernal igual Espasmos de nada até ao Inferno final

Não Gosto (XVIII) P

Odeio profundamente a palavra FALECER. É uma palavra absolutamente grotesca, que não faz sentido nenhum. Diz-se MORRER! Percebam isso, pessoas do mundo. Não há forma de contornar quão definitivo, enigmático e doloroso (para quem fica) é partir para outro mundo. Abandonar o corpo é morrer. Falecer é uma palavra muito leve para isso... Outro dia vi um animal qualquer num programa de comentário político dizer que um cão tinha falecido. O Mundo acabou?!

Comiseração (I)

Quando não está a atacar sanguinariamente, está a aguardar, a dar tempo à presa de respirar ou de esquecer os erros passados. De novo, amanhã, ou depois, num futuro sempre próximo, um novo contacto causa uma nova depressão causada nele próprio e na vítima perseguida, mas nunca encontrada. Sairá de sua casa mais vezes com o mesmo intuito de encontrar no guia escolhido a salvação, mas este, sempre altivo, fugirá. Calcorreará os sete mundos e as dimensões em busca das suas palavras espalhadas e encontrará sempre o mesmo vazio e ainda algum nada, que guardará na mochila e transportará aos ombros como único fardo através do sem-sentido quotidiano que as suas vivências passadas proporcionaram...escolherá a morte no momento certo. Nadir Veld Nota de Zenit Saphyr: Como é que eu deixo este merdoso viver dentro de mim? Nasceu não o posso deixar morrer, mas contemplá-lo causa-me sempre um asco inacreditável. Não se cala com as suas perturbações medíocres e está sempre a lamentar-se, por is...

Não Descansarei em Paz (P)

Não descansarei em paz Porque os meus átomos em revolta Arrefecidos pelo fim da vida Fundirão uma alma atormentada Das que penam em silêncio Como anjos vigilantes Enclausurados num nada vagueante Não descansarei em paz Porque não me fiz compreender Ou porque a gargalhada foi mal interpretada Porque o que ficou por dizer Nunca o poderei dizer Não descansarei em paz Não voltarei atrás Não descansarei nunca em paz Porque em vida descansei o tempo Que me foi concedido pelas estrelas

Aos Mortos

Aos Mortos Todos os que a atravessaram Já estão para lá da fronteira No reino eterno da morte O que os distingue do nada foi terem vivido Brevemente, talvez Existiram num instante do Universo Individualidades distintas Ninguém as conduziu pela mão Ao reino da morte sonhada Espírito, alma solta do corpo Do desgraçado que jaz morto Agora, nada conseguem gritar Do reino de trevas da morte Cegos, quando lhes agitam os lenços na despedida Aqueles que ainda não passaram a barreira Para o reino perpétuo da morte Alvos Millar

The Hollow Men (T.S. Eliot)

Os Homens Vazios de T.S. Eliot I Nós somos os Homens Vazios Somos Homens Enfardados Inclinamo-nos em conjunto Consciências cheias de palha, ah! As nossas vozes secas, No momento em que juntos sussurramos, São submissas e sem sentido Como vento na erva árida Ou patas de rato sobre cacos de vidro Na cave estéril Contorno sem forma, cor sem tonalidade Força paralisada, gesto sem movimento Aqueles que atravessaram Sem pestanejar Para o outro Reino, o da Morte Recordem-nos não como Almas Perdidas e Violentas Mas apenas como Homens Ocos Enfardados II Olhos que não ouso enfrentar em sonhos No Reino Sonhado da Morte Estes olhos não surgem Lá, os olhos são Luz do Sol numa coluna desfeita Lá, a árvore balança a ritmo lento E as vozes vibram Na Canção do Vento Mais distante e mais solene Que uma estrela evanescente Não deixai que me aproxime demais Do Reino Sonhado da Morte Deixai-me apenas exibir desgastados disfa...