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Os Homens Dispersos

Somos os Homens Dispersos. Estendemos a mão no vazio, esperando que alguém lhe pegue e fechamos os olhos, enquanto rezamos novamente. As preces anteriores foram ouvidas por Deuses esquecidos, por isso agora entregamo-nos ao desconhecido e sussurramos serpentes para devorarem os monstros que se agigantam de dia para dia. As suas sombras trepam-nos pelas paredes e ofuscam-nos. Os nossos valores não nos permitem transportar uma luz que vença a sombra abatida sobre nós. Nós não somos os Homens Faróis. Somos os Homens Dispersos e desaparecemos para o Subterrâneo assim que nos esquecem. Acordamos sós, depois de um sonho em que nós, chorámos súplicas a uns olhos vazios e trememos de frio sem o abraço da esperança. Somos os Homens Dispersos, atafulhados com felicidades alheias inalcançáveis e obcecados em alcançar aquilo que apenas pode ser alcançado por outros. Somos os Homens Dispersos, guiados por imagens falsas até ao nosso cadafalso. Somos Homens Vazios, enchidos de vento e deixados às vo...

Os Diários Lunáticos de Zenit Saphyr (26 de Maio de 1982)

Não consigo deitar-me com esta angústia que causa espasmos no corpo que já não controlo. Sei que, se me deitar na cama, vou ficar às voltas e às voltas, sem parar quieto nos lençóis em chamas, escutando fantasmas que me chamam com vozes arrastadas e místicas, como se despertassem horrores na nossa cabeça, como se enchessem todo o som do meu cérebro. Sei que eles vão invocar passados turbulentos exibindo no meu sentimento um desfile de imagens agonizantes, que me farão de novo olhar para o vazio, então, a cama vai abrir-se e eu vou cair para um longo abismo como naqueles sonhos em que parece que, saltando de alturas, vamos finalmente voar (o nosso grande sonho!) antes de nos estatelarmos e acordarmos sobressaltados, lá vou eu para as entranhas do mundo, engolido pela atmosfera de medo que criei com as sombras terríveis que me nasceram e eu deixei crescer na minha imaginação até um horizonte de maldições insustentáveis se estender à minha frente. Agora o silêncio da noite é um ruído que ...

Dez Mandamentos para um Mundo Moderno P

1º Não terás outra divindade a não ser o capital. 2º Louvarás o trabalho acima de todas as coisas e não deixarás que a família, a amizade ou o amor assumam mais importância que as tuas obrigações perante a sociedade. 3º Assumirás horários que cumprirás maquinalmente. 4º Amarás as pessoas não pelo que elas são nem pelo que elas valem, mas sim pelos meios que movimentam e pelos apoios que conseguem juntar. 5º Comparar-te-ás sempre a alguém e, acima de tudo, iniciarás uma tremenda competição com aqueles que contigo trabalham. Terás de ser o melhor, pois só superiorizando-te, nem que seja à custa de factores extra-laborais, poderás subir na carreira para comprar mais coisas para ti e para os teus, para ascenderem socialmente. 6º Revelarás tudo o que fazes e todos os teus actos bondosos devem ser do conhecimento do maior número de pessoas possível. Recorda-te: uma coisa que fizeste pode ser extraordinária, mas se só tu sabes que a fizeste, então nem sequer aconteceu. 7º Casar-te...

As Mais Míticas Frases de Zenit Saphyr

"A Celestialidade das frases e dos argumentos é composta por uma orquestrada conjugação das palavras." "Jesus Cristo arrancou os olhos aos pobres e deu-os de comer aos ricos" "Dói-te na alma o coração, meu irmão, quando fizeste alguma coisa sem perdão" "A Vida tem mil vidas e tudo muda como um fósforo ardendo" "Se somos fogo porque bebemos vodka e não água?" "Eu sou a minha memória" - (Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião - 33ªParte) "Há cegos com olhos para tudo" "A Política não tem metade do interesse que lhe dão, mas tem o dobro da importância do que vale um país."  "A liberdade é o principal requisito da loucura!" "Um sabonete não se suja. Auto-lava-se. "É preciso uma chama muito forte para derreter um coração de gelo" "O Voto útil é inútil" "Um adulto é uma criança corrompida pelo tempo." "Ganhas o cansaço da intel...

Gravidade (Nadir Veld, 2014)

Isto foi o que escrevi na altura em que lancei o filme que não me recordo de ter feito. " Execrável peça de merda congeminada pelo infame cobarde Nadir Veld, que não morre nem deixa morrer. -  Zenit Saphyr Não aceito lições de moral de bastardos múltiplos. Vemos o imenso vazio esmagar-nos e não sabemos para onde ir...Estamos destinados a ser sacrificados nos estábulos de Deus. Somos cordeiros para abate. Alvos constantes de traições infindas. Continuamos a sofrer fechados nos nossos corpos-  Nadir Veld" Agora digo só...que se lixe tudo isso... http://distrify.com/films/7875-gravidade?locale=pt-BR

Diálogo Tenebroso (P)

Nadir Veld – Por vezes, bem à noitinha, quando tudo está adormecido, sinto vontade de partir silenciosamente deste mundo. Quando tudo está calmo e solene…irrelevante…sinto esses impulsos crescerem dentro de mim… Zenit Saphyr – Como podes falar de uma coisa dessas nesses termos? É inqualificável, repugnante…Não tens autoridade sobre o teu espírito interior…ele liberta-se quando quiser…assim ficas uma alma amaldiçoada para toda a eternidade. NV - Quero matar-me. ZS - Quando alguém me diz isso peço-lhe para aguardar meia hora. Pode ser que já não queira morrer e caso consumasse o acto não poderia voltar atrás. NV – A morte libertar-me-á de todas as dores do meu espírito, todos os sentimentos frustrados, todas as mágoas e sonhos perdidos…depois da morte não haverá mais dor… ZS – Só na vida as alegrias são possíveis, também! Nunca ninguém viu um cadáver exultante. NV – Qual? Todas as caveiras sorriem! ZS – Isso é muito tempo depois da morte, quando se apercebem quão vãs foram a...

Distúrbio

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Tradução da letra da música Disorder  dos Joy Division por Nadir Veld Tenho estado à espera que um guia apareça e me conduza pela mão Podem essas sensações fazer sentir os prazeres de um homem vulgar? Mais uma vez, essas sensações pouco me animam Tenho o espírito, perco o sentimento Escapa-se a emoção Está a aproximar-se, cada vez mais veloz, acelerando Fica fora de controlo No décimo andar a porta das traseiras é terra de ninguém Luzes faíscam, carros colidem, torna-se frequente Tenho o espírito, perco o sentimento Deixei-o escapar de alguma forma O que significa para ti, o que significa para mim Vamos voltar a encontrar-nos Estou a olhar para ti, estou a olhar para ela Não sinto piedade pelos teus amigos Quem está certo? Quem traça as fronteiras? Quem quer saber disso agora? Até que a nova sensação do espírito assuma o controlo, depois tu percebes Até que a nova sensação do espírito assuma o controlo, depois tu percebes Até...

Existência, para que serves? (P)

Existência, olho-te nos olhos no velho espelho empoeirado, Para que serves? Existo de uma forma insuportável Enclausurado num corpo que não escolhi Sinto um vazio que arrepia o próprio medo Os meus olhos mortiços rejeitam a luz E focam-se no abismo que troça da Criação À minha descrença alia-se a falta de amor Como dois soldados prontos a corroer-me por dentro Duas anti-forças unidas na destruição da vida Engrandecendo as amarguras acumuladas E a recordação dos sonhos perdidos Num desfile sem fim de remorsos e dor Uma corrente furiosa que tudo arrasta e nunca pára Mas pode quebrar Quando vai acabar? Quando vai acabar? Nadir Veld

Não Gosto (I)

- Não gosto de SUICIDAS nem de SUICÍDIOS. A forma como esta gente tira a si própria a coisa última, aquele fio que nos liga à percepção de tudo parece-me detestável. Consigo conceber que as pessoas passem por grandes sofrimentos e que viver se possa tornar insopurtável, mas não viver é certamente pior, porque depois da morte não há nada a não ser o eterno vazio. Tolstoi escreveu assim no seu magistral livro "Guerra e Paz": "O nosso corpo é uma máquina para viver. Está organizado para isso por Natureza. Deixe a vida correr nele sem entraves e deixo-o auto-defender-se."