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A Morte espalha o caos na vida

Sorrateira como sempre e imprevisível até à eternidade (o que quer que esteja vivo, vai morrer e pouco importa se sabe isso ou não), a asa da morte cobre todos os sonhos sorridentes e enquanto a recolho, vejo como a sua acção afecta terrivelmente aqueles que a ela assistem e que têm de se despedir do cadáver...os parentes...aqueles que...que dizer, que falar...que pensar senão no fim que se está a aproximar...são palhaços tolos a caminhar para cadáveres com tropeções dignos nos desníveis do mundo. É natural que chorem mais quando vêm a morte sangrenta...mas eu estou sempre aí à espreita, em Paris numa rua caótica, no Líbano no colapsar de um edifício sobre uma pobre família com um Cristo tão lindo em belas palhas deitadas...um inocente puro...A estrela da morte Alvos Millar

Tumbas para todos

Uma tumba para ti, uma tumba para o outro Uma tumba para todos os que tombam Tomando a rota do reino eterno Voando sós para o mundo externo Trágicos e desamparados enquanto almas Mágicos e agora sagrados enquanto corpos Velados por olhos de lágrimas toldados Coitados dos tombados malogrados Nunca mais vão ser acordados E não mais serão por luz motivados Depois dos rituais que lhes são consagrados Alvos Millar

Alheios ao seu céu

Aqueles que cruzam, inocentes, a fronteira para o novo reino, chegam ao além alheios ao seu futuro ao seu corpo ao seu passado ao seu céu. Os espíritos olham, como olha uma estrela, para um infinito plácido. No mundo dos vivos sobe diariamente um uivo ao medo desse reino, ao medo da Viagem Final. Oh, como os oiço bradar de medo quando me aproximo, nos palcos de guerra, nos lugares de tragédias. Eu existia antes de tudo existir e levei as primeiras árvores que nasceram na terra, começando a construir a entrada dos outros reinos com os espíritos das primeiras árvores. Elas enfeitam o hall do Inferno. Alvos Millar

Mortos Recentes

Todos são lindos quando morrem Nem bem nem mal fazem Os corpos que agora desligados outrora roçaram a perfeição, Mas estão hirtos e frios Velados por lágrimas e soluços Que trepam pelo peito Garganta acima até ao medo Das mortes futuras E toda a recordação De tudo o que podia ter sido feito E não foi Alimenta o arrependimento e então o desgosto e a angústia estendem-se como um tapete de mar por um horizonte cinzento na noite cheia de estrelas moribundas Alvos Millar

Todas as Pessoas do universo de Zenit Zohar Saphyr

Zenit Saphyr - Eu, nascido no Brasil de mãe caucasiana, fugi de casa ainda antes da minha adolescência e fui educado por índios que me passaram uma visão do mundo muito particular. O meu grande objectivo de vida é fazer com que o meu dia de amanhã seja ainda mais extraordinário que o dia de hoje, subindo sempre na escala de felicidade que a vida me proporciona. Nadir Veld - Meu principal personagem. O seu nome, em astrologia, significa "o ponto da esfera celeste exactamente por baixo do observador", o que é exactamente o contrário de zénite. Ele também é o oposto do que eu sou, um indivíduo deprimido, sempre de cabeça baixa, seguro de que o melhor caminho para si é o suicídio, que o libertará de todas as dores. Alvos Millar - A estrela da morte. Esta personagem é a entidade pura que conduz as almas depois da sua libertação do corpo e escreve poemas sobre essa passagem, que nem ele compreende totalmente. Homem-Orquestra - O Homem Orquestra, que reproduz todos os sons do ...

O Murmúrio Solitário da Morte

O Murmúrio Solitário da Morte I Por Mim Se Vai à eterna Morada Por Mim Se Vai a um Reino de Perpétuo Nada Por Mim Se Vai ao Reino Incógnito da Morte Destino derradeiro até do mais forte Aceitai a lei da Terra, vós que nasceis Eu sou o fim de tudo o que conheceis Eu sou o fim de tudo o que conheceis O guia da alma solta dos corpos que morreis II Sempre ocupado enquanto houver vida Eu sou a estrela da morte De todos vós a final sorte Sou múltiplo e desordenado Actuo em todos os lugares imagináveis Ao mesmo tempo Em todo o momento O corpo falha A mente foge A alma solta-se E é entregue, talvez em fumo, depois da viagem Perplexa, pairando numa outra Margem No Reino de Trevas da Morte III A assustadora inoperância daqueles que deixo Inanimados por dentro Gela a espinha dos que observam fins No Reino em Luto dos Vivos, Um mistério em corpo desamparado, agora sem força interior Caído como um fantoche abandonado pela etern...

Voo MH 17

Foi sonhado um pássaro de ferro Para os homens cruzarem os céus Conscientes de um possível erro Que não pode ser evitado por Deus  É a hora do carrasco, Carrega no botão do míssil E ele voa, sibilando na tarde, A Malásia é um fiasco Porque na Europa está difícil Fazer o que é fácil E os viajantes incautos, Conduzidos por céus perigosos, Não sentiram nada chegar, até explodir e desligar e derreteu no céu o sonho do pássaro estranho  enquanto o poder sionista Esmagava muralhas de madeira Com a maquinaria mortal choviam corpos, já sem alma Numa planície calma E os vivos não podem ir dormir Com medo das balas do porvir Receberei quem fizerem vir Os intuitos dos arquitectos tenho de seguir Alvos Millar

Eusébio

Pantera Negra, felino de relvado Corria imparável no campo pelado Da sua infância onde se fez O génio que os defesas desfez Dotado dos atributos dos Deuses Mas, humilde como nenhum deles Construiu a sua eterna imagem Com o suor da sua bondade e coragem Cruzou também ele a margem Num barco cheio numa feérica viagem Em que os companheiros o miravam estupefactos Orgulhosos por com ele entrarem No Reino Sombrio da Morte Onde as imagens se separam na margem derradeira E partem a velocidades infinitas para o delírio Eusébio, filho de todos, Caíste também nas minhas mãos firmes, Bico para toda a obra, Às vezes até a mim me custa ser convocado Mas eu sou a hora que chega a toda a hora Em todos os lugares com todas as pessoas Se foi o Eusébio, todas as outras irão atrás dele Para sempre Quem consegue assim ceifar uma alma Tem de nunca pestanejar Morreu um rei Assassinar reis deixa-me a alma pesada Quero ser julgado Sinto que sou o maior p...

Alvos Millar, ne primeira pessoa

Sou apenas a pessoa que o faz, que ceifa a alma, percebam isso…até já tive a ideia para uma história contando o trabalho que os desígnios do homem me fizeram ter no dia 11 de Setembro de 2001. Raramente tenho de levar tanta gente num espaço tão pequeno. No meio do fumo, arrastei-me, múltiplo, como sempre, ceifando vidas nas chamas. Lembro-me de ter batido com força estrondosa no chão, arrastando o homem que saltou. A minha vida é um flash de mortes, eu não posso ser singular. Não consigo entender a minha multiplicidade…                                                                                                                                      ...

O Legado das Almas Mortas

É muito maior o número e a relação dos que já viveram Com os que ainda não morreram Já partiram tantos corpos, Sempre assustadores depois da luz os abandonar, Para o Reino Desconhecido Que o objectivo único dos escassos que, Agitados Esbracejam à sua maneira seja em que forma for Réptil, ou Paquiderme Vivo e visível No Reino Real da Realidade Tangível, É aumentar o exército daqueles que acenam silenciosamente Cegos No Reino Invisível da Morte Em breve a Terra não vai aguentar o peso bioquímico de tanto morto Corpos abandonados pela alma O abalo apocalíptico será causado pelo grito unido das almas mortas Escondidas Enclausuradas E depois reveladas Do Reino Sorrateiro da Morte Alvos Millar

Alvos Millar, primeiro poema e explicação (Nelson Mandela)

Nasceu Alvos Millar , a estrela da morte, no dia 6 de Dezembro de 2013, um dia depois da morte de Nelson Mandela.     Matei Nelson Mandela Como a todos antes e depois dele Recém-Chegado ao Reino dos Mortos O Capitão Liberdade encontrou o mesmo destino Que o carrasco, o corrupto ou qualquer animal Matei Nelson Mandela Como a qualquer outro vegetal Sou o velhaco do mundo Mas dou sentido a tudo isto Não permito eternizações Toda a vida é fugaz e curta Ínfimas Explosões no Infinito Escutam no seu breve tempo Histórias de tristes de antigamente E sentem movendo-se ao sabor dessas emoções Eu sou a noite eterna Um buraco-negro deambulando pelo mundo Apartando os que percepcionam Dos corpos agora adormecidos para sempre O destino das almas é me indiferente Meu trabalho é libertá-las O Cansado Espírito do Capitão Junta-se pairando, livre e solitário Ao desfile dos que terminaram Matei Nelson Mandela Bem-Vindo ao outro lado O Rein...

Aos Mortos

Aos Mortos Todos os que a atravessaram Já estão para lá da fronteira No reino eterno da morte O que os distingue do nada foi terem vivido Brevemente, talvez Existiram num instante do Universo Individualidades distintas Ninguém as conduziu pela mão Ao reino da morte sonhada Espírito, alma solta do corpo Do desgraçado que jaz morto Agora, nada conseguem gritar Do reino de trevas da morte Cegos, quando lhes agitam os lenços na despedida Aqueles que ainda não passaram a barreira Para o reino perpétuo da morte Alvos Millar

Aqueles que Voluntariamente Enfrentaram a Morte

Poema para os estudantes do Meco Aqueles que voluntariamente enfrentaram a morte Cegados por uma lei que é letra morta Levados numa onda de má sorte, Obedecendo escalonados a uma hierarquia torta, Caminham, agora em conjunto Inseparáveis pela estupidez do assunto Torturados no outro lado No Reino Eterno da Morte Surdos, obedeceram às leis impostas Pelos homens com que se cruzavam. Aceitavam todas as humilhações propostas, Esperançosos em mais tarde serem os Humilhadores Maiores Para um dia perpetrarem torturas piores Subindo os ritmos de uma lei que não existe Acenando baixos a quem em tal insiste Equivocados na sua percepção Do Reino Real dos Vivos Aqueles que rastejam a continuidade sem a questionar Unidos, golpeiam o silêncio com lamentos Na planície do outro Reino em que os deixei penando Ansiosos por se libertarem do suplício em que estão andando A Verdade, vinda da Terra, Do Reino Entretido dos Vivos, Não os aliviará das aflições ...