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Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (?)

Estava numa das margens da memória, assim como estava aquele outro no outro lado, fazendo gestos. Eles lá vão com tractores contra actores, mas eles são rápidos e desaparecem em corredores, depois de correrias à frente dos tractores. Este aqui teve a insolência de contornar o tractor e voltar atrás para continuar a sua explicação por gestos. Quando o tractor foi abaixo por ter feito uma mudança de direcção demasiado arriscada, eu comecei a perceber a sua mensagem. Ele percebeu que eu o entendia, na outra margem da memória e entusiasmou-se na gesticulação. Estava enérgico, não parava, finalmente estava a dizer a verdade com uma dança tosca, mas permanente e ilegal. O tractor passou mesmo ao pé dele, mas ele esquivou-se como um toureiro, belo golpe de teatro. Então começou a correr e acenou-me novamente. Eu tinha muito a aprender com aquele espírito. Despi as roupas e lancei-me nas frias águas do Rio da Loucura.

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (7ª Parte)

Ao ser alvejada, a minha alma, todo o meu sentido se evaporou. O Espírito estava desmaiado. Uma força de sucção começou a exercer-se dentro de mim, como se me puxasse para dentro de algo quente. Tentei evitá-lo, por não saber ao certo o que me esperava, mas era demasiado tarde. Um calor infernal subiu através da minha espinha e consegui ver novamente como um homem vê, com os dois olhos miraculosos a brilharem para o mundo. O que primeiro vi foi uma grande multidão, de castanho vestida, observando-me de uma plataforma inferior. Eu estava acima deles e isso incomodou-me. Olhei em volta e um gigantesco homem com um capuz negro deu à minha inteligência a informação de que precisava para saber o que se estava a passar à minha volta naquele lugar. Fiquei pior quando a lâmina reflectiu a luz do sol nos meus olhos, cegando-me momentaneamente. Olhei o céu e vi a alma justa que subia já bem alto, sem ter de sofrer a execução terrena. Tentei gritar e explicar que aquele não era o meu corpo! Por l...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (6ª Parte)

Pela primeira vez a minha alma do corpo estava separada. Não conseguia ver, mas sentia com uma força inimaginável. Estava leve como uma pena e voar era fácil. Aproximei-me das nuvens, já muito tempo depois da subida do demónio ter cessado e só parei muito depois, parei completamente, cessei todo o movimento para escutar. Um estrondo enorme vindo debaixo de mim anunciou que o vulcão ia entrar em actividade. Senti explosões demenciais e, das alturas, vi que debaixo de mim tudo estava iluminado. Parti em busca de uma alma prestes a nascer, para que a pudesse habitar em vida. Numa planície vi uma vaca grávida e entrei nela, mas rapidamente fui expulso, quando vi que nela habitava já uma alma mais forte que a minha. Enquanto cruzava os céus a grande velocidade, comecei a ser capaz de ver melhor e a sentir a essência da vida, a pureza inicial. Em vários corpos tentei entrar e em todos a alma nova que ao corpo ia dar vida triunfou sobre o meu. Uma égua estava a dar à luz um pequeno potro e eu...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (5ª Parte)

Quando na lava mergulhei o meu corpo não se desfez instantaneamente, mas estava sem forças para ao de cima regressar. A minha alma acompanhou-o enquanto se decompunha, caindo para longe da superfície, sentindo uma dor dilacerante em todos os poros da minha existência, daquilo que existia quando eu existia, do que existia, porque eu existia. Com os meus olhos vi monstros de fogo com chifres, os peixes da lava. Um furioso Demónio controlava aquele pequeno mar. Era o rei ao qual todos prestavam vassalagem. Com o resto do corpo que se deteriorava, arrastei a minha alma para ele. Saudei-o com uma vénia e com malícia me recebeu. Qual o criador de tal terror ninguém pode nomear. Numa das suas mãos me esmagou ele e com gula me cheirou. De um ápice colocou-me na sua boca e estralhaçou o resto do meu corpo com os seus dentes pontiagudos. Louvada a alma que é libertada do corpo onde se sofrem tais temores. Aprisionado no interior do estômago do demónio, o meu espírito, impeliu-me a evadir-me. Ao ...

Assim se Cumpre em Mim a lei de Talião (4ª Parte)

Se a sorte com o seu sopro me bafejou, rapidamente aprendi que neste lugar a sorte depende das horríveis leis do Inferno, arquitectadas pelos maiores torturadores da história. Pois os que desta terra se acercam, quando torturados, devem ser refeitos como obra de cristal. E assim eu fui unido para que pudesse viver num corpo inteiro, porque apenas nele poderia sentir as verdadeiras torturas que me estavam reservadas. Nessa altura percebi que o polícia no camelo era uma das marionetas do Inferno. Depois de me ligarem atiraram-me brutalmente para dentro de uma caixa, que passado pouco tempo se começou a abrir lentamente. Sem tempo para agir ou procurar onde estava, num novo Mundo em poucos segundos me encontrava. Percebi que a caixa caía, quando à minha esquerda vi um penhasco vermelho reluzindo, passando a grande velocidade. Ouvi sons de explosões e quando caixa desapareceu totalmente vi-me caindo sem retorno em lava líquida. Agarrei-me numa pedra e senti o calor das fornalhas do mundo. ...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (3ª Parte)

Mergulhado no imenso deserto seguido por dois jovens leões, carregando o terceiro ao colo, pois nunca do sono durante o qual os pais foram exterminados o seu corpo acordou. A trágica figura com a sua banda demente. Acercava-se de mim a dúvida quanto ao meu destino. Os leões seguiam-se como gatinhos obedientes. Andava e andava e via sempre o mesmo sol abrasador que nunca se ia embora. Durante muito tempo caminhei, sem parar, sob o sol extenuante. Pareceram-me passar-se semanas e o sol não ia embora, pelo contrário, parecia arrastar-se pelo céu numa marcha lenta, como se estivesse a fazer pouco de mim e do meu sofrimento. Estava cansado e não conseguia dormir sob aquele demónio de luz e calor. A fome levou a melhor e acabei por comer o leão do sono eterno às escondidas dos seus irmãos. Quando a minha pedra afiada do seu jovem peito se aproximou, a pena que do leão sentia era menor que a fome que me devorava por dentro. Quando a pedra fez a incisão no seu peito, a carne crua e o sangue co...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (2ª Parte)

Nesse mundo branco caminhei dez dias, sentindo poucas sensações humanas. A fome não me incomodava, aliás parecia nem existir ali. Os únicos sentimentos que sentia eram tédio e esperança. Tédio por causa daquele mundo imutável, de uma branquidão exagerada, um lugar em que não havia nada. Esperança porque avançava sonhando com uma porta, ou uma abertura que me mudasse de plataforma. Sentia que se ficasse parado algo de terrível aconteceria. Os sábios contavam que o Rio da Loucura podia levar ao Paraíso, mas o que era certo é que, quem nele entrava nunca à vida regressava, e podia afundar-se mais e mais em outras espirais de dor. Naquele momento tinha uma certeza: este mundo seria pior que o anterior. Ao décimo dia de busca no Mundo Branco, uma mancha Negra surgiu no topo desse meu Mundo. Como um pássaro, numa gaiola aprisionado, o meu espírito desolado e abandonado, sentiu os limites da caixa a que estava confinado. A Mancha Negra alastrou e encheu todo o Branco que via. Quando o Negro a...

Assim se Cumpre em mim a Lei de Talião (1ª Parte)

Caminhando, condenado a dores infernais, de hora a hora, o meu estômago entra em combustão, paga pelos crimes que cometi. Inflama-se todo o meu corpo nesta dor incompreensível. Em chamas, acerco-me do Rio da Loucura, onde me banho com prazer, apagando o fogo que de mim nascia. E nesse momento, Neptuno, irado por não se cumprirem as suas ordens, praguejou sobre as montanhas, que encheram o rio de uma água nova. Não me apercebendo do que ocorrera, enquanto em deleitosos banhos descansava e arrefecia o corpo flamejante, surgiu uma tormenta como que do fundo da Terra e fui arrastado pelas águas do dilúvio divino a caminho de uma catarata. Para a margem certa nadei antes de no precipício cair. Dei por mim numa selva verde, onde todos os pássaros sonhavam os pesadelos do homem e gritavam de uma maneira louca, esvoaçando desgovernados como que endoidecidos por um espírito tenebroso e choviam penas arrancadas nos seus choques descontrolados contra as árvores e uns contra os outros. Os seus bra...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (Prólogo)

Quando o Espírito e o Corpo, cúmplices de flagelos condenáveis, se separam e o Espírito foge do carrasco que o aprisionara, o Corpo cai e as pessoas do Mundo Cognoscível louvam-no brevemente, escondem-no numa caixa como um anátema e põem-no debaixo da Terra. Fazem-no aterrorizados por não poder chegar à Alma, invisível e indetectável. A mim, no dia em que do meu corpo original me libertei, aconteceu o Inesperado, o Inacreditável, o Infinito: a entrada na Segunda Dimensão do Espírito onde carregamos os pesados fardos de que nunca somos libertados e a minha alma, como um sopro de ar, a canção da brisa e o eco da montanha, começou uma infernal jornada. Como se um peso me atacasse caí para os confins do mundo, de um buraco sem fundo e emprestaram à minha alma uma Sensação em Corpo no Submundo.

Assim Se Cumpre em Mim a Lei de Talião (35ª Parte)

Quando vi que percebia o que diziam saltei para os braços do que estava mais próximo de mim. Finalmente, milhares de anos depois de penar silenciosamente, podia comunicar directamente com alguém semelhante a mim. Sentia-me protegido, mas ele afastou-me veementemtente. -Este acabou de chegar- cuspiu para um dos outros, com mais enfado que desprezo. -Nada é o que parece - acabei por dizer depois de um pequeno silêncio, consciente de que também ali os Arquitectos do Mal actuavam contra o Prazer.-Apenas vos abraço porque agora me podem ouvir e me podem falar. Acabou o meu silêncio!-Gritei para que me ouvisse. -Já aqui estamos... -Não quero saber! - Interrompi-o.-Quero ouvir-me só a mim. Cantar e ser entendido. Acabou o silêncio. Acabou o silêncio. - Comecei a dançar em volta deles e percebi que pelo seu ar sério a minha felicidade não ia durar muito. Os problemas não podem ser ocultados eternamente. Pensei em enfiar-me fundo numa das camas e simplesmente esperar até a loucura chegar se...

Assim Se Cumpre em Mim a Lei de Talião (34ª Parte)

Uma convulsão chamou-me à vida numa confortável cama de onde fui violentamente tirado um segundo depois de acordar, atirado com impetuosidade contra uma parede, empurrado para uma sala onde me deixaram sozinho a caminhar semi-desperto, com a alma ferida por de corpo ter sido transferida e os olhos fixos no chão, desejosos de não ter de ver os massacres preparados ali. Entrei num grande quarto onde muitas pessoas dormiam, mas a quantidade de camas era tal, que havia muitas vagas. Por isso deitei-me e descansei um pouco, pensando nos acontecimentos, com medo de existir e de enfrentar esta nova realidade, onde, pelos vistos, existiam pessoas viventes…Adormeci rapidamente. Quando acordei vi três gémeos discutindo, mesmo à minha frente…Olharam-me com raiva, ou medo, não sei determinar, por isso fui-me embora. Não havia mais ninguém no amplo quarto com paredes brancas. Saí por uns portões e vi um imenso desfile de gente…todos iguais, cavaqueando entre si…Todos vestiam o uniforme branco que ...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (33ª Parte)

Violentamente atirado contra um breve vazio, perdi a consciência do que me rodeava. Senti forças misteriosas apoderarem-se da minha percepção e realizarem danças antigas numa galeria. Nas paredes vi enormes sombras projectadas, erguendo-se assustadoras. Vi o céu azul belo e esperançoso. Vi depois um vulcão em erupção tornar-se no corpo de uma mulher que partiu para longe, como se voasse e tudo ficou negro. Ouvi pessoas gritarem na escuridão e bombas explodindo. Ouvi guerra e dor…só distúrbios, nada de bom…todas estas coisas que recordo, tenho de as descrever... Eu sou a minha memória. Estas recordações soltas, meras imagens sem sentido, são tudo o que me lembro depois de ter caído para o abismo com o Homem Orquestra e antes de ter acordado. Não tenho justificação nem significado para as explicar, são o resultado de qualquer loucura bem interior provocada por milhares de anos de existência num mundo degradante…Uma existência que não acaba, continua para sempre a um ritmo vertiginoso at...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (32ª Parte)

O Homem Orquestra, percebendo o meu plano, avançou à minha frente, silencioso e camuflado pela vegetação. Foi destemido e eu voltei para a gruta. A certa altura ouvi um zumbido que o anunciava, fui vê-lo ao aproximar-se, perseguido por três demónios. Avançava bem à sua frente e entrou para as profundezas da gruta, onde começou a tocar mais alto sons da natureza. Os demónios estavam condenados mal entrassem na gruta. Quando eles chegaram matei-os aos três facilmente. O primeiro foi fácil de matar pois estava completamente desarmado, os outros dois viram-se afunilados pela entrada e eu tive facilidade em golpeá-los. Passados vinte minutos vieram dois demónios a cavalo à procura dos seus companheiros. Matei os demónios, mas poupei os cavalos. Salter para cima de um e ajudei o Homem Orquestra a pôr-se no dorso do outro e começou a tocar a Cavalgada das Valquírias. Peguei no espelho pelo cabo dourado que o suportava e ergui-o bem acima da minha cabeça, dirigindo o espelho para a zona de on...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (31ª Parte)

Quando chegamos à região montanhosa que eu sabia antecipar a entrada na pradaria,o cavalo caiu resfolegando de cansaço. Não conseguia continuar. Curvei-me para ele, mas em vez de o abençoar como fizera às vacas, apliquei-lhe um forte golpe de espada no pescoço e a sua alma escapou-se para outro sítio, pos na verdade ela está sempre à espera da oportunidade para do corpo se libertar, se a lei metafísica do Criador naquela galeria lho permitir. Durante um dia descemos e, quando no horizonte comecei a descortinar as verdejantes pradarias vi que a defendiam soldados do demónio. Todos iguais, mais altos que eu, com três membros assentando no chão e dois braços segurando em armas, na cabeça tinham um elmo, que abria em dois lados para de lá sairem os seus chifres, um grupo de 100. O Homem Orquestra apercebeu-se da sua presença e começou a tocar canções bélicas de vitória. Pensei e decidi atrai-los até mim, só precisava de encontrar uma gruta lá em baixo, no fim da montanha. Enquanto ia desc...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (30ª Parte)

Embora avançássemos mais lentamente, apercebi-me de uma coisa que poderia estar do meu lado naquela luta. A Humidade que se desprendia das árvores jogava a meu favor, aquele calor húmido poderia afugentar as bestas de fogo. Á noite olhei para trás e vi os seus gigantescos corpos faiscantes. O seu fogo não alastrava para as águas, que pareciam estar protegidas contra eles. Essa era a minha sorte, mas nada me garantia que eles não me apanhessem, pois estavam muito perto e o cavalo avançava dificilmente através da selva cerrada. Saltava as raízes e afastava-se de perigosos animais rastejantes e voadores. Servia-me da minha espada para os afugentar e do escudo para me proteger dos raros ataques, o Homem Orquestra assustava-os e reconfortava o cavalo que começava a percever como ele funcionava. A certa altura o Homem Orquestra falou-lhe, relinchando e eu fiquei ofendido, pois o Homem Orquestra nunca me falara na minha língua...Falava através de músicas, sim. Mas nunca directamente...Ele pa...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (29ª Parte)

Andámos três dias enquanto as bestas de fogo que haviam destruído a Terra se aproximavam. Aquele estreito monte em que avançava oferecia-me poucas hipóteses para me esconder dos monstros. Isto enquanto a chuva de meteoritos propulsionados pelos canhões de Deus ou do Criador, ou de quem quer que conjecturara aquela malidção continuava a engolir a plataforma. Ao longe no sítio das explosões erguiam-se colunas de fogo. A certa altura calculei que não conseguiria passar mais de um dia em fuga. O Homem Orquestra percebeu os motivos do meu alarme e soltou um relinchar perfeito que ecoou através do horizonte. Continuou a relinchar e, a certa altura, juro por todos os deuses, surgiu vindo dos confins do penhasco, um belíssimo cavalo branco, enorme e musculoso. Passou por nós a grande velocidade e eu aproveitei para lhe saltar para o dorso. Ele continuou a galopar e eu amansei-o falando-lhe ao ouvido. Ele abrandou e estacou quando viu as bestas. Relichou furiosamente e eu afaguei-o. Desembainh...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (28ª Parte)

Corri, quando me apercebi quão pouco protegido estava. Lá em baixo, ao longe através do nevoeiro, fileiras de demónios de fogo brilhavam como a estrela em que deixara a Terra. Olhei-os com atenção e vi que se aproximavam da Terra como bestas sedentas de destruição. Como se ela fosse uma presa formaram um círculo de fogo à sua volta. Por essa altura calculava já que a Ásia tinha sido conquistada por pessoas melhores e os pores dos sol eram mais calmos Síria enquanto a harmonia reinava na Europa. Todos os adjectivos são insuficientes para descrever aquela destruição. Aqueles abutres deploráveis destruiram a minha criação, apagaram a estrela e ficaram a arder naquele lugar, mais poderosos e agora o único ponto divisível na distância. Corri, penhasco acima e vi um monstro azul, tentando trepar o penhasco. Tinha pêlo, olhos vermelhos, uma altura de três metros e caminhava sobre apenas um membro forte que sustentava três membros de que ele se servia para a luta. Naquele momento subia agilme...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (27ª Parte)

Olhei para o buraco que, uma vez destruída a montanha, estava bem mais próximo e fumegava, como se aquele bocado de terra que não tinha sido desbastado pelo meteorito estivesse pronto a ser desfeito. O Homem Orquestra soava a tambores das profundezas, com eco. Corri para o Homem Orquestra agarrando a minha espada com mais convicção ergui-a sobre a minha cabeça e jurei que o buraco não me ia engolir. Embrenhei-me no nevoeiro onde tinha deixado a Terra. Vi a estrela, cintilando e aproximei-me, olhando para os seres vivos da Terra. Eles pelejavam por uma causa qualquer. Tinham evoluido e a sua maquinaria eram capazes de destruir países. Vi um grande canhão erguer chamas, incendiando a cidade e um avião ser abatido num Oceano. Ouvi uma grande explosão atrás de mim e recomecei a correr, regressando ao nevoeiro. O Homem Orquestra gostou de regressar à Terra e tocou alegres canções, esquecendo-se momentaneamente de que a plataforma onde se encontrava estava a ser engolida. Corremos e, atravé...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (26ª Parte)

Acordei com a ansiedade do Homem Orquestra a fazer-se ouvir através de sons desconcertantes descompassados. Quando a Terra tremeu outra vez fez o som de vidros a partirem-se. Do outro lado  do riacho elevava-se um grande cume. Baixei-me para beber água e, nos meus olhos, brilhou um reflexo proveniente de um espesso tufo de ervas. Fui até lá e encontrei uma reluzente armadura de um vermelho brilhante, um escudo prateado, um elmo de bronze e uma espada com cabo dourado. Armei-me, o Homem Orquestra começou a tocar orquestrações que apelavam à batalha e subi o cume sob o sol nascente. Quando alcancei o cume e enxerguei o horizonte vi um imenso abismo que se estendia por milhares de quilómetros interrompendo uma paisagem árida. A minha passagem estava vedada, mas ainda assim aproximei-me do buraco para perceber porque existia e se era lá que a Terra tremia. Seguia no terreno seco de terra a apenas dois quilómetros do abismo quando o Homem Orquestra soou como trovões e parou de andar. D...

Assim se Cumpre em Mim a Lei de Talião (25ª Parte)

Custou afastar o Homem Orquestra da Terra. Ele estava hipnotizado e captado numa órbita magnética andava de roda da esfera. Ao aproximar-me, também eu fui captado. Olhei para o Homem Orquestra e vi o tempo que ia demorar a coldirem, para nos podermos libertar. Ele tocava bonitas músicas e a vida florescia. Lá longe, o novo sol por mim plantado transmitia-lhe as forças da vida. As planícies verdejantes povoadas de mamíferos em reunião, ainda sem se compreenderem e sem saber o mundo em que estavam. Era maravilhoso poder ver toda aquela fauna crescer. Avancei, olhando as maravilhas do mundo com prazer, e acabei por colidir com o Homem Orquestra quando o sol se pôs para uma nova espécie profética, que avançando no tempo cravava nas paredes códigos para o futuro. Com essa inteligência podem ser felizes. Um velho barbudo no topo de uma montanha chamou-me a atenção. Era um explorador do desconhecido. Ao chocarmos, ele recobrou a consciência e caiu. Pos-se de pé e viu a Terra seguir o seu rum...