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Não Gosto (173)

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Escrevo estas linhas para amaldiçoar o génio de marketing, príncipe da piroseira, que, para chamar a atenção sobre certos livros, teve a ideia de os enfiar numa sacolinha colorida enfeitada de brilhantes. Qual terá sido o processo de discussão e planeamento de venda que levou alguém a sugerir, ao ver que as obras não estavam a ser tão vendidas como o esperado:   “olha, e se metêssemos os livros numa sacolinha colorida?” E, se assim pensaram, logo o puseram em prática. Agora há uma profusão de livros enfiados em sacolinhas pirosas pelas livrarias do mundo e eu gostaria de saber que pessoas prestam mais atenção ao livro por vir numa sacolinha colorida pintalgada de brilhantes e porque raio é que o seu cérebro se deixa assim enganar por semelhante logro.   30 de Dezembro de 2020

Não Gosto (138 - A)

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É incompreensível a indigência com que a legendagem de filmes e séries é feita, mas são garotos que fazem estas legendas, caralho? Garotos que estão proibidos de dizer asneiras, pois só isto justifica a quase ausência de palavrões escritos quando eles abundam nos diálogos, para além disso só um garoto ou alguém que nunca saiu de casa é que traduz para “estamos a ficar altos” a frase “we are getting high”, enquanto as personagens do filme consomem drogas. Eu até compreendo que não haja um grande apuramento na linguagem, nem especial cuidado nas palavras escolhidas, nem rasgo artístico, os tradutores são mal pagos e devem exigir-lhes as traduções em pouco tempo, mas nem isso justifica que se escreva “rutina” ou “à 15 anos”. O único motivo aceitável que eu consigo encontrar para estes erros é o despeito. Eu, muitas vezes, quando trabalhava para patrões muito ricos que pagavam mal e porcamente, fazia o meu trabalho de forma desleixada e, sempre que podia, roubava uma coisa qualquer insigni...

Não Gosto (170)

No jogo Werder Bremen - Estugarda de 6 de Dezembro de 2020, ao fazer o 0-2 aos 91 minutos que assegurava a vitória para a equipa visitante, o jogador congolês Silas Wamangituka teve, segundo o árbitro de partida, que o admoestou com um cartão amarelo, uma atitude anti-desportiva. Nas décadas que levo a ver jogos de futebol nunca antes vira um jogador ser penalizado por uma atitude semelhante, por um relaxamento, por uma brincadeira, por uma maneira divertida de marcar um golo. Depois do desentendimento ridículo entre o guarda-redes chevo Jirí Pavlenka e o defesa turco Omer Toprak, o avançado congolês aproveita, ganha a bola e corre sem oposição em direcção da baliza. Os dois estarolas que estavam a defender ficam a resmungar um com o outro enquanto Silas Wamangituka avança, tranquilo, para marcar o seu segundo golo da partida e selar a vitória. O jogador do Estugarda olha para trás e, ao ver que nenhum dos dois defensores se faz ao lance e continuam a olhar um para o outro feitos parvo...

Não Gosto (113)

Detesto esta nova mania dos árbitros de futebol de adiarem a marcação de um fora-de-jogo claro só porque são medrosos e temem enganar-se, prejudicando um clube, o que lhes valerá um coro de críticas que agora querem a todo o custo evitar. Eu compreendo o seu medo e também entendo que, em casos mais duvidosos, possam deixar a jogada prosseguir para depois se fazer uma análise mais criteriosa no Vídeo Árbitro. Há milhões de olhos a ver os jogos e um pequeno erro pode decidir o resultado final. Vozes iradas erguer-se-ão contra a equipa de arbitragem, acusando-os raras vezes de negligência porque, se um árbitro de futebol se engana, é certo que está comprado pelos poderosos milhões das equipas mais abonadas, o que os torna uns salafrários da pior espécie. Contudo isto já começa a atingir proporções absurdas, com os árbitros a esperarem para marcar fora-de-jogo em lances em que os jogadores estão três metros para lá do penúltimo jogador adversário. Isto não seria muito grave se, por ve...

Não Gosto (45)

Odeio profundamente a dobragem que muitas reportagens televisivas fazem de entrevistas a estrangeiros e não permitem que se ouça bem a voz da pessoa que fala. Mete-me nervos. Eu não quero ouvir sempre a mesma voz! Quero legendas e ouvir as coisas como estão a ser ditas, como é óbvio. Arrepia-me os nervos quando a voz do entrevistado vai abaixo e se ouve a voz de um tradutor falido, nada apaixonado pelo que está a dizer, eu gosto de ouvir as vozes, gosto de ouvir as línguas e tentar entender o que querem dizer as coisas! Deixem as pessoas falar à vontade, ponham legendas, caralho!

Não Gosto (69) P

Quando estou a tentar dormir, odeio profundamente que um mosquito ou uma mosca faça um voo rasante no meu ouvido. É das sensações mais insuportáveis do mundo, parece que aquele som incómodo entra para dentro do meu crânio e fica ali a zumbir e a vibrar terrores horríveis no meu cérebro. Sempre que isto acontece sou incapaz de adormecer, porque fico sempre receoso que ele me pique ou, muito pior, que possa fazer um novo voo rasante e me arranque do quase sono, por isso acendo a luz e enfrento-o, esquadrinhando com os olhos as paredes do quarto, à procura do pequeno e incómodo insecto. Muitas vezes ele é difícil de encontrar por mais que eu procure. Às vezes dou murros nas paredes para ver se eles se assustam com o impacto, mas há alguns que nem assim se mostram. Quando isso acontece costumo abrir a porta, ligo uma luz da parte de fora do quarto e espero um bocado. Normalmente este truque resulta porque os insectos são estúpidos e têm uma atracção pelas fontes luminosas que nunca compre...

Não Gosto (55) P

Tenho um horror profundo a ter tecido colado a uma ferida. Há alguns anos, numa disputa de bola durante uma futebolada num relvado sintético com os meus amigos, fiz uma grande ferida na perna, que ia quase do joelho ao pé e, mais tarde, enquanto dormia, ela colou-se aos lençóis da minha cama. Fiquei agoniado quando reparei que além da ferida me estar a doer terrivelmente, arrastava com ela o lençol da cama. Arrancá-lo da minha perna causou-me tanta dor, que o meu estômago ainda se contrai sempre que recordo esse gesto. A princípio estava a fazê-lo lentamente, com uma expressão de puro sofrimento no meu rosto, olhos faiscantes com inevitáveis lágrimas e dentes cerrados, mas a certa altura decidi literalmente arrancar o mal pela raiz e fiz um desesperado gesto rápido que foi acompanhado de um urro descomunal que saiu das profundezas das minhas goelas, subiu ao último andar do prédio em que dormia e desceu até às catacumbas do Diabo juntando-se ao horrível coro infernal, o choro sádico d...

Não Gosto (54) P

Não gosto de símbolos indicadores de género para as casas de banho de restaurantes e bares demasiado abstractos. Muitas vezes acontece-me ficar a olhar algum tempo para aquelas formas super estilizadas e sem um significado claro, sem que conseguisse descortinar o seu significado, hesitando entre entrar numa ou noutra porta. Quando me dirijo a uma casa de banho não estou à espera de ter de resolver um enigma complexo antes de poder fazer o que lá fui fazer. Demasiado envergonhado para perguntar, costumo arriscar entrar numa. Tenho cinquenta por cento de hipóteses de acertar. Claro que se vivêssemos numa sociedade aberta e avançada não seriam necessárias casas de banho para homens e para mulheres, usaríamos todos a mesma e ninguém se queixaria, antes pelo contrário, mas já que nos querem em casas de banho distintas, ao menos ponham uns símbolos claros. Num filme de Herzog, ele mostra imagens estilizadas de homens e mulheres até bastante comuns e supostamente fáceis de interpret...

Não Gosto (53) P

Não gosto de pessoas que arranham o fundo do prato com a serrilha da faca enquanto cortam a sua comida. O som produzido com este arranhar é extremamente irritante e parece entranhar-se pela minha pele através da parte de trás do pescoço e desce através da espinha dorsal provocando arrepios em todo o meu corpo. É um som agudo absolutamente horrível e difícil de suportar. Sempre que o meu amigo Carlos me convidava para um almoço ou um jantar eu inventava uma desculpa para não ir porque já sabia que ele ia arranhar o prato com a faca de forma descuidada, quando o seu bife há muito estava cortado. Ele até é uma pessoa agradável com que eu gosto de estar e falar, mas nunca às horas das refeições! Eu acho que ele tem um problema qualquer de audição que o impede de ouvir as altas frequências, por isso não repara quando está a serrar o prato com a serrilha. Eu não lhe digo nada por uma questão de delicadeza, porque somos amigos e porque já o avisei uma vez. Ele pediu desculpa, mas continuou a ...

Não Gosto (52) (PP)

Não gosto nada das traduções que Jorge de Sena fez das obras de Ernest Hemingway . Só li dois livros de Hemingway traduzidos por ele, O Velho e o Mar e Fiesta (The Sun Also Rises) . O Velho e o Mar já li há algum tempo, não me recordo ao certo das passagens que mais me revoltaram e desiludiram, mas agora ando a ler Fiesta, que encontrei e roubei de um Hostel de Budapeste, que, para minha grande surpresa tinha um livro em português. Há muitas passagens que me deixaram imensamente estupefacto, vou dar apenas alguns exemplos: “Durante certo tempo a paisagem era bastante a mesma”, “Cohn ia ver se arranjava a fazer a barba”, “Em poucos momentos a choca o foi buscar, amansou-o e fez dele parte da manada”. Recordo que isto são só exemplos. O livro está recheado de frases que não fazem qualquer tipo de sentido, parecendo ter sido escritas por crianças. Para além desses erros há uma frase em que o “há” é trocado por “à”, uma nota de rodapé em que Jorge de Sena se refere aos “peles-vermelhas”,...

Não Gosto (51) (PPP)

Detesto aquelas homens que se sentam ao pé de mim nas camionetas de longa distância quando há mais bancos livres e odeio particularmente este gordo que está sentado ao pé de mim enquanto escrevo. Possivelmente fazem-no para cumprir o número do lugar no seu bilhete, mas é inacreditável que continuem lá sentados quando há mais lugares livres. Mas...o que há de errado com estas pessoas? Não querem ir à janela? Preferem estar apertadas num banco durante duas horas em vez de estarem à larga em dois bancos...? E eu não me consigo ir embora sem o fazer levantar e sinto que poderia cair-lhe um bocado mal, era como se eu lhe dissesse, 'desculpe, não quero estar mais à sua beira, vou ali para trás, adeus, boa tarde'. Neste preciso momento estou encurralado por um gordo numa camioneta para o Porto, mas, ao menos, tenho um lugar à janela para ir escrevendo a minha raiva enquanto o meu ódio por ele vai crescendo e vou vendo a paisagem desenrolar-se lá fora. Quando saímos de Faro ele entrou ...

Não Gosto (50)

Não gosto de saber e ver que umas celebridades são casadas com outras celebridades. Quando oiço falar de mais um casamento entre dois famosos fico furioso. O facto de, na maior parte das vezes, os VIP’s se casarem uns com os outros faz-me olhar para o amor e para o casamento como uma coisa artificial e sem valor. É uma grande e estranha coincidência as pessoas famosas encontrarem o amor da sua vida entre outras famosas porque há tantas pessoas no mundo, tão diferentes entre si, por que raio hão-de ter encontrar a pessoa com quem partilharão a vida nos fechados e obtusos meios que frequentam? Para mim, como já disse noutras ocasiões, o casamento é uma instituição caduca e ultrapassada; não faz qualquer sentido nos dias de hoje, em que há uma grande mobilidade e todas as pessoas se podem encontrar, casar e dedicar a vida a apenas uma pessoa, mas estes casamentos entre VIP’s parecem-me uma coisa “só para inglês ver”, como se diz na gíria, para vender notícias com fotos pomposas, para ver...

Não Gosto (49) (P)

Não gosto de pessoas que, quando se referem a balizas de futebol, dizem poste em vez de dizer barra, ou que dizem barra em vez de dizer poste. Se não sabem ao certo qual a expressão que usar digam “ferro”. “A bola foi ao ferro”. Eu, pessoalmente, consigo sempre ver se a bola vai ao poste ou à barra, mas compreendo que algumas pessoas não consigam ver. Para elas existe essa expressão do ferro, que engloba todas as fronteiras férreas da baliza.

Não Gosto (48) (P)

Não gosto de não conseguir adormecer. Para mim, é um grande sentimento de impotência, ficar às voltas na cama, sem conseguir pregar olho, vendo, por vezes, a manhã solarenga esgueirar-se entre os buracos da persiana, o que me causa um imenso peso na alma. Eu, pelo menos, sinto-me um verdadeiro idiota e censuro-me pelo tempo que perco a debater-me com os lençóis húmidos do suor de uma noite de verão e, por vezes, sinto-me tão quente que acho que vou arder de loucura enquanto dou voltas e voltas em busca da posição perfeita e nunca consigo acabar com essa pequena farsa que é estar para ali, às voltas na cama a ver se durmo. Era simples: levantava-me da cama e ia fazer outra coisa, mas sou incapaz, fico sempre à espera que o sono chegue e, por vezes, demora horas. Uma coisa que me costuma ajudar a adormecer é a masturbação. Costumo masturbar-me duas, três vezes por noite, mais caso esteja com muita dificuldade em adormecer. Depois disso fico mais relaxado e é mais fácil passar a ser embal...

Não Gosto (47) (P)

Não gosto de falhar uma fotografia perfeita por segundos . Noventa por cento das vezes que vejo um acontecimento surpreendente que merece ser fotografado ou filmado não tenho o material pronto para a tomada da imagem, pelo que me precipito para ele muito rapidamente, mas, mesmo assim, acabo quase sempre por perder a oportunidade, porque aquilo de único e irrepetível que eu vi acontecer já não está a acontecer. Restam apenas os vestígios do acontecimento e, mesmo assim, eu fotografo-o, o que resulta numa triste fotografia falhada, que ainda por cima se aproxima de uma imagem de perfeição que tivemos (costumamos pensar: Se ele estivesse ali e o braço dele não se tivesse movido naquela direcção!)

Não Gosto (46)

Não gosto quando alguém que eu conheço se esgueira por trás de mim e tapa os meus olhos com o intuito de que eu adivinhe de que pessoa se trata apenas pela voz. É um comportamento patético que eleva a pessoa que o pratica aos altares do mais inalcançável ridículo. Para além de ser muito incómodo uma pessoa ver-se privada daquele considero o mais importante dos sentidos, é bastante desagradável levar com as mãos de uma pessoa nos olhos, que, em princípio continuarão abertos. Já me aconteceu uma amiga minha, com as mãos geladas, esgueirar-se por trás de mim e perguntar-me com uma voz doce se eu sabia de quem se tratava. Eu disse que não só não sabia, como não queria saber, libertei-me das suas mãos e fiz-lhe entender que o nosso relacionamento chegara ao fim. O contacto de mãos geladas com a nossa pele é terrivelmente desconfortável e, a mim, pode levar-me à loucura. Ainda outro dia, passeava em Belgrado com o meu amigo Dušan, que usa óculos, quando uma sua amiga apareceu nas suas costas...

Não Gosto (45)

Não gosto de igrejas que têm, nos seus altifalantes, sons do chocalhar de moedas para incentivar os crentes a fazer doações. As igrejas, por serem altas, fazem com que os sons que nela ocorrem ressoem de forma volumosa e sejam ouvidos em todo o lado de forma reverberante. Parece-me um acto fascista pôr o som do chocalhar de moedas em altifalantes para lembrar os crentes das doações que eles devem fazer, eternizando o estupidificante dízimo, que supostamente lhes abrirá as portas do céu. Usar o poder dos sons e das imagens para deturpar e alterar o pensamento de alguém faz-me sempre lembrar o livro 1984 de George Orwell, em que a sociedade era regida pelo Grande Irmão, um ditador sem escrúpulos.

Não Gosto (44) P

Não gosto nada de bebedouros público sem água. Eu sou uma pessoa que bebe muita água, consumo cerca de 10/12 litros de água por dia, a sede ataca-me muitas vezes, ocasionalmente de forma insuportável. Nessas alturas cambaleio-me sequioso por avenidas cheias de gente que passa por mim com as suas garrafas cheias dos mais diferentes e satisfatórios líquidos que eu poderia beber, mas tenho vergonha de pedir, naturalmente. Encontrar um bebedouro seco é como matar esperança. Eu vejo um bebedouro ao longe, aproximo-me, confiante de que a minha sede vai ser saciada, pressiono o manípulo e não sai água nenhuma. É horrível. Se eu fosse o presidente da câmara de um município, certificar-me-ia que nenhum dos bebedouros da cidade ficasse sem água, nem que para isso tivesse de enfiar pelas canalizações do dito bebedouro milhares de litros de água engarrafada.

Não Gosto (43) P

Não gosto de pessoas que dizem que o frio é psicológico. É de uma estupidez sem limites. Então porque raio existem as escalas Celsius e Fahrenheit? Para decorar com mais números confusos o mundo? As pessoas que dizem que o frio é psicológico deviam ser fechadas dentro de um frigorífico.

Não Gosto (42) P

Não gosto de establecimentos que põem a água do lavatório da casa de banho quente para que os seus utentes consumam mais bebidas no bar, uma vez que não conseguem molhar a boca na casa de banho e não se podem refrescar. Não me parece que seja preciso dar grandes explicações para detestar isto. Às vezes vou a bares só para beber água e queimo-me em malditas torneiras (já falei sobre quanto detesto beber água que não esteja fresca). É um acto fascista, os donos dos bares não se preocuparem com o bem-estar dos seus clientes e preferirem facturar mais dinheiro deste jeito opressor.