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Que me batam uma punheta no caixão Seria deleite — derradeira consolação, Esguichar o leite último na enlutada multidão, Salpicar de meita a língua ao capelão, Ouvir das fêmeas o elogio ao mangalhão, À dureza em rigor mortis do perpétuo folião. Esgaça-me da carcaça a piça doce mão De homem fraco ou mulherão, Falo firme fá-lo vir-se na boca do sacristão, Jacula veio alvo em roxo paramento Explosão, Via Láctea, firmamento.

Poema em eslovaco

Moj krv je červené Ale moj srdc je čierna Aj zabit' jelen Jeho krv je pivo O meu sangue é vermelho Mas o meu coração é negro Eu mato um veado E o seu sangue é cerveja My blood is red But my heart is black I kill a deer And its blood is beer

Budapest

In Budapest, a time to rest Hot vapour in the cold air Joyful people from everywhere And we played chess there It was very nice, It seemed like paradise Later on, we pulled the string With our bikes we cut the wind We could hear the Danube sing It was really nice Oh honey, it was paradise

Poema em eslovaco composto por mim

D'akujem, smrt, dobrý večer.

Variações de Yeats (Oil and Blood)

Em sarcófagos resplandecentes sob místicas pirâmides Estão envoltos em pano os corpos sagrados de princesas e faraós Mas sob camadas de areia calcada do deserto Luta, ainda em desespero, um peregrino pela tempestade atacado E sob um manto de mar infinito vagueia sufocado Um marinheiro pela tempestade atormentado

Zenit Saphyr, o Homem Livre, o Solitário, O Homem Quebrado

Eu não me filiei Eu não me vinculei Estou entre os inarticulados Fico fora dos quadrados O meu centro é um ponto móvel em torno do qual se enfrentam objectivos discordantes Estou em guerra comigo próprio, não posso combater causas alheias Não vou guerrear colectivamente enquanto não reinar a paz no meu espírito.

Convida o sangue a subir ao altar (Quadra tripla?)

A carne translúcida a fritar Os cubos de gelo pró jantar A mesa roxa debaixo do luar Convida o sangue a subir ao altar Um peixe novo noutro mar A bílis verde para agoniar Num prato roxo ao luar que Convida o sangue a subir ao altar Os farrapos luminosos no céu a andar As nuvens disformes a vê-los dançar Num prado roxo, na natureza ao luar que Convida o sangue a subir ao altar

Versículos Místicos (III - O Cilício)

O Cilício é um objecto de tortura que usas disfarçado para te sacrificares por Deus, para que tudo te seja perdoado e Lhe pedires redenção pelos teus pecados deslocados Porque se fores recto e acreditares na sua mensagem, verás que te será aberta uma senda luminosa Quando crês e praticas o bem a estrada guiar-te-á à felicidade e encontrarás o Senhor dos Mundos, Mestre do Tempo Pois ele criou a Terra em três dias por isso devemos-lhe penitência Ele não gera nem foi gerado, surgiu do nada Um mestre mágico na escuridão das galáxias Alguns vão dizer "Isso são mentiras extravagantes" e acusarão as estrelas de estarem demasiado distantes mas Nós sabemos que elas são candeias colocadas no céu distante para nossa vigilância Aqueles que crerem terão um rio eterno e virgens da mesma idade com que morrem Os outros estão num extravio manifesto beberão uma mistura de água a ferver no inferno e serão repreendidos por demónios lunáticos durante eternidades

Farsa da tortura

Cilícios nas nossas pernas Que choram sangue penitente pelos joelhos que tropeçam Escandalosos no tapete manchado Enquanto a mão procura o machado Nadir Veld

Três linhas enfiastadas

Ele viu a verdade concreta e Entre sonhos e lágrimas concerta Lenta corrida em direcção à morte certa Há sempre uma entidade secreta Que na vaga escuridão concerta Lenta corrida em direcção à morte certa Sebastião morreu na guerra é certo Mas ainda deixa tudo em aberto Para um português que não é esperto Ele já tinha a ferida aberta ... Lenta corrida em direcção à morte certa

Acédia

Quatro livros ao meu redor Uma lua a virar sol A minha vida no lençol Presa e indefinida No turbilhão do girassol Concêntrico grito solitário Espalhado na espiral Couraça da força mole e pegajosa Que escondida na escuridão concerta Lenta corrida em direcção à morte certa

Sem titukajsaihdfh

São 5 da tarde na casa mais desarrumada do planeta Uma foto arrastada com uma luz e outra treta Na almofada os livros repousam todos os seus corpos Porque não têm cabeça amontoam-se dispersos Como o?... São 5 da tarde da minha consciência arrebitada Carolina parece que dança Enquanto nos meus sonhos balança Segura entre os dois mundos Analúcia está sempre tão lúcida E isso deja vestígios na sua alma púdica Mas pode ainda encontrar a pureza búdica A Vitorina vitoriosa veperina Voltou a vender alma E isso fez-me pensar O Agreste António e a Conceição Preparam uma refeição Com vitelos e cabras à descrição Velados por velas em bela disposição Sob candelabros de ouro em procissão Era a fineza O orgulho de uma geração Mas nem tudo correu com a perfeição planeada Dos Deuses apenas Baco apareceu com disposição Para alçar as armas e fazer soar o canhão. Quatro dos duzentos convidados iniciaram um motim bem para fora das portas do salão ...

Comiseração (41)

E é assim acordamos sóbrios para mais um dia no inferno Depois de nos termos deitado Jurando não mais acordar  E é assim acordamos óbitos súbitos julgados em púlpitos por faltarmos à vida não assinando prestações imóveis E é assim acordamos incrédulos no reino apático que construímos para sossegarmos o clamor silenciarmos o langor mas sobretudo sobretudo para abafarmos abafarmos o uivo de terror Abafamos e cobrimos o rosto enquanto se contorce E de manhã a máscara está sorridente depois de um banho água gelada e um cobertor A cara está pronta para receber o promotor E é assim adormecemos com esperança de não acordar deste lado da vida Nadir Veld

Onde estão os antiparambidualistas?

Anti-Parambidualistas -  Aqueles procuram uma terceira via, que pode ser inexistente. São os se opõem á Ciência que aceita a divisão em apenas dois, num par, das mais importantes coisas (Homem e Mulher, o Bem e o Mal, a verdade e a mentira, etc). O seu lema é  Não espalhamos a verdade nem a mentira, somos quem atira no Homem e na mulher porque queremos uma terceira via, há o Certo e o Errado, nós somos o outro estado, há o Bem e o Mal, mas nós estamos noutro lado. Versão 1 Ha duas coisas sempre e duas apenas: O Bem e o Mal O Feliz e o Triste O Terror e a Paz As palavras andam aos pares A contradizer-se Só há duas coisas e nada mais E tu vais escolher sempre a pior Versão 2 Onde estão os antiparambidualistas? Ha duas coisas sempre e duas apenas: O Bem e o Mal O Feliz e o Triste (foste tu que pediste?) O Amor e o Ódio A Verdade e a Mentira (A paixão com que conspira!) A Vida e a Morte O Terror e a Paz As palavras andam aos pares A contradizer-se Só h...

Mais depressa os rios secam do que o mar se enche

Seriam só mentiras bem planeadas Essas promessas em ouro não realizadas? Esses sonhos implantados na imaginação Cuja recordação me ferra o coração São golpes profundos de violência mágica E matam esperança criada numa mente nostálgica, Tenho dolência trágica na alma agoniada E a consciência de pesadelos sitiada Um medo que assombra o peito e tudo preenche, Mais depressa os rios secam do que o mar se enche Nadir Veld

Acordar sem meios

Acordar sem meios Dar corda a cordeiros A corda que estica A alma que vai E o corpo que fica Nadir Veld

Como não seres vista

Neste lugar não há olhos Não há olhos aqui Não há olhos nenhuns aqui Neste quarto esquecido os meus olhos não me vêem Não há mais olhos aqui Não há olhos nenhuns aqui Nenhuma palavra pode explicar Nenhuma acção pode modificar O rumo escolhido Não há olhos aqui Não há olhos nenhuns aqui E não podes experienciar Habitar a minha alma em sofrimento Aqui não há respostas Não há confronto Não há conforto nem reconforto Há silêncio e vazio Não há olhos nenhuns aqui Não há olhos aqui A não ser os meus Cegos de raiva Aqui só há perguntas Que pairam sem serem vistas Perguntas lançadas em chamas Para a Eternidade Regressado ao Reino Antigo Onde a Dor é Imperatriz De um exército sem rumo De uma força intensa que sente isolada E encerrou nos calabouços profundos A esperança de comunhão Não há olhos aqui Sim, não há olhos nenhuns aqui Não há mais olhos em mim Neste lugar sombrio há remorso vão Atirado ao acaso Há questões pertinentes e demandas proibidas Mas ...

Almas Mortas (666 palavras)

Vi os espíritos mais perturbados da minha cidade Arrastarem-se conturbados por avenidas cheias de gente disposta a ajudá-los Seguindo silentes os seus caminhos de perdição Preocupados em não incomodarem com lamentos os seus conhecimentos Orgulhosos da dor guardada no seu íntimo e confinada à sua consciência dolorida Vi-os cerrando os olhos num pranto interior, desviando a atenção da rua colorida Focando-se num negro abismo há muito iniciado Demasiado tristes para se desfazerem em lágrimas Aninhando-se sobre si mesmos esforçando-se para não serem vistos Fazendo-se pequenos para passarem despercebidos Destruídos pelas humilhações às portas da loucura Aguardando que a morte esfomeada os devore E sossegue enfim o clamor longo do cérebro dilacerado Vi o medo puro raiando mortiço nos seus olhos tristes Enquanto fitavam vazios os caminhos frios Com as mãos enterradas nos bolsos e a cabeça baixa Vencida por um mundo em que não encaixa Resignados ao seu miserável destino Camba...

Lembra-me um longo martírio

Lembro-me de um longo martírio num prédio só de escadas concebido Um delírio oblongo num lugar sem qualquer sentido Lamentando subindo e descendo um nada que me foi concedido Sonhando rostos maus Naqueles amplos degraus Que escalavam por pisos sem portas Trepando as paredes com almas mortas Sem janelas para as ruas tortas Havia uma luz na escuridão Vinda de foco nenhum na podridão Aparecida do nada era só iluminação Que caía devagarinho no tédio e no delírio das carpetes de sangue embebido Lembro-me de um longo martírio num prédio só de escadas concebido

Directas

Há noites que não são feitas para serem dormidas Há noites que se estendem como rios E nos reencontram vazios, Marionetas presas por fios, Exibidas num palco no fim do tempo Há noites que são de um azul tormento mas Há dias que começam azul melhor "Dolce color d'oriental saffira"