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Comiseração (50)

Com um frio de morte à espera que o ecrã ligue e a luz me diga que caminho tomar com os meus pensamentos e então os meus dedos automáticos tratam de tudo e dirigem-se a cada uma das preciosas letras que conjugadas formam tudo e não formam nada, desenham preces na escuridão para serem lidas pelos demiurgos da nossa salvação. Os requisitos foram aceites podemos navegar pela nuvem.

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São 5 da tarde na casa mais desarrumada do planeta Uma foto arrastada com uma luz e outra treta Na almofada os livros repousam todos os seus corpos Porque não têm cabeça amontoam-se dispersos Como o?... São 5 da tarde da minha consciência arrebitada Carolina parece que dança Enquanto nos meus sonhos balança Segura entre os dois mundos Analúcia está sempre tão lúcida E isso deja vestígios na sua alma púdica Mas pode ainda encontrar a pureza búdica A Vitorina vitoriosa veperina Voltou a vender alma E isso fez-me pensar O Agreste António e a Conceição Preparam uma refeição Com vitelos e cabras à descrição Velados por velas em bela disposição Sob candelabros de ouro em procissão Era a fineza O orgulho de uma geração Mas nem tudo correu com a perfeição planeada Dos Deuses apenas Baco apareceu com disposição Para alçar as armas e fazer soar o canhão. Quatro dos duzentos convidados iniciaram um motim bem para fora das portas do salão ...

Comiseração (48)

ESQUECES-ME DA NOITE PARA O DIA COM UMA FRIEZA QUE ARREPIA AGORA A MINHA ALMA VAZIA PERDEU TODA A SUA ALEGRIA NADIR VELD

Comiseração (47)

Oh Meu Deus, a Vida está a tentar a matar-me! A vida não pára de disponibilizar-me tempo para eu morrer, enquanto sofro todas as minhas preocupações que não consigo acalmar, todos os problemas pendentes aí sempre por resolver, nas prateleiras da vida! Nadir Veld

Comiseração (46)

Eu não colecciono selos, muito menos noites sem medos. Sim, noites sem medos obscuros são coisa que não surge depois dos meus bonitos pores do sol há mais de...há mais de...não há memória. Agora não me serve a memória para me lembrar, mas eu sou uma pessoa que só guarda as más recordações para a comiseração posterior...as melhores é melhor deixá-las de parte, esquecê-las para que não sejam perturbadores obstáculos para os nossos obscuros cada vez mais escuros devaneios. As minhas pernas estão a tentar matar-me! Vejam como elas não param de tremer e eu só quero adormecer! Mas elas não param e eu fico a olhar para elas...estupidamente a olhar para a elas a vê-las tremer...estremecer toda aquela inquietação...e depois...as horas...o tempo não pára de passar e eu não consigo descansar! Ver as horas duas vezes por minuto é um prenúncio de...um prenúncio de que o tempo está parado ou de que nós estamos parados no tempo. Sim...as horas...04:22...meia hora depois 04:22 e vemos o relógio passa...

Comiseração (45)

Oh Meu Deus a minha indecisão está a tentar matar-me! Eu não consigo fazer aquilo que tenho de fazer! Eu consigo fazer muitas coisas...por exemplo, isto aqui...eu posso estar a fazer isto, mas isto não é o que eu preciso de fazer! Muito pelo contrário, eu até...hum?...Eu não...eu queria estar a fazer aquilo que tenho de fazer, sobretudo porque...isto é estúpido...estou aqui a folhear as páginas de um livro que nunca vou ler...não...não é isto que tenho de fazer...mas a decisão...tenho de o fazer...é agora, mas as janelas estão mais visíveis que as portas e ....e se calhar é mesmo por lá que vamos sair...sim...o cérebro cessará de arder! com a velocidade do corpo...a velocidade do corpo louco e então... a decisão...sim a decisão seria irrelevante...o meu corpo morto jamais poderia sofrer as consequências...sim...as consequências da indecisão...por isso ela era irrelevante...se calhar até serei elogiado brevemente por aqueles que atraiçoei e enganei saltando...NÃO. Hoje saio pela porta d...

Comiseração (44)

O meu peito resoluto já não sabe aonde há-de ir, mas nem por isso perde o fôlego e por isso resfolega sempre mais e mais neste lugar onde devia habitar uma alma, mas não habita coisa nenhuma! É só uma moradia insatisfeita que gostava de ser habitada...um vazio que faz bater todas as portas de uma vida fantasma. Por mais que se corra e se saia não se sabe nunca ao certo aonde se vai quando se tem o cérebro em chamas. É como se fossemos um navio que não controlamos e as coisas vão acontecendo...sim...as coisas vão sucedendo, mas o controlo não o temos. Somos vida indiferente do corpo a definhar. A vida...a vida é que definha, não sei se entenderam...É preciso ver todas as coisas a acontecerem a todas as outras coisas e vice-versa. Só então vimos tudo e abarcamos tudo e podemos tomar uma decisão e a decisão é...a decisão é a indecisão de ficar à espera, no limbo da tristeza entre a sombra e os dias e um disparo lunático rumo ao infinito. A decisão é ficar gritar as palavras mais angustian...