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Entrevista a Zenit Saphyr

Vítor Jara - Sente-se um fugitivo da vida? Anda a fugir de alguma coisa? Zenit Saphyr -  Essa é uma pergunta difícil e algo contraditória até, eu diria. Não ando a fugir de nada, certamente. Assumo as responsabilidades por todos os meus actos, não digo que não me arrependa de alguns e aliás isso pouco ou nada tem a ver. Não há nada que eu tenha feito que eu não assuma como acto meu. Quando me pergunta se sou um fugitivo da vida pode referir-se a muitas coisas...É certo que fugi à vida que estava destinado a viver porque sempre me recusei a ficar onde estava. Acho que ficar mais de três meses no mesmo lugar, dia após dia acabando sempre a dormir na mesma cama, no mesmo conforto, é desprezível. Sou incapaz de viver com a rotina e pensar..."Então a vida é isto e vai ser assim para sempre". Isso assusta-me. Quando olho e vejo que isso pode estar a acontecer-me vou-me embora, sem olhar para trás.Às vezes digo, baseando-me em Blake que a estabilidade é uma tia velha e solteirona q...

A Indústria do Medo

"Diariamente as pessoas são bombardeadas com notícias de eventos brutais. Acho que os jornalistas negoceiam a divisão do medo com as tempestades. As notícias escolhidas, o horror descrito com detalhe, tudo parece mostrar uma inclinação para o abismo. Um acto de bondade nunca vai abrir um telejornal, contudo a bondade derrota a maldade no Campo de Batalha." John Fleumund Doce prazer que te aproximas. Nada há como abrir uma porta com a devida chave, principalmente quando entramos em nossa casa e sabemos que não está ninguém. Despojamo-nos do que nos atrapalhava e ficamos à vontade, inebriados pela segurança. Este estado de tranquilidade dura pouco se os demónios adormecidos pelas pequenas felicidades decidirem acordar erguendo gigantescas sombras de pedra no sossego, mordendo, abocanhando, tudo o que houver de menos mau. É então que o espírito depressivo não vê nada além de caminhos pantanosos para se aventurar. A dor existe, não dá para ignorar, não dá para esquecer, é fác...

O Trono

Aqui sentado Num trono de fumo Domino impérios sem vassalos Onde têm estado esses? Onde têm estado esses? Publicamente distanciados Cansados de tentar Desvanecem em sonhos antigos Vejo-os enquanto se escapam Num trono que não dá nada para governar Um trono nas trevas Trémulo Mas ao qual jurei fidelidade Fiquei ligado a ele pelas leis da Antiguidade Lunático Enquanto o som metálico da batalha se torna cinza E da cinza renasce a ave Mitos de esperança suave Um trono ébrio Fechado em si mesmo e à sua volta No salão a que está determinado Mas ninguém o pode culpar nem acusar Por imperar no vazio Orgulhoso do nada conquistado Um trono para um rei inútil

Acelarações do Espírito

Podes acelerar um pouco mais, podes ter vertigens, até que o espírito encontre a plataforma tem muito de caminhar. Os caminhos maquiavélicos e pantanosos, as unidades de tortura, as máquinas de guerra, o luar repetindo as cenas num filme eterno retratando traumas e degradações, penas de que nunca nos libertamos…E o espírito aguenta tudo e vive recatado, ou então explode…quando as dimensões do espírito explodem e então perguntamo-nos onde temos estado quando confrontamos o nosso novo eu, alterado pelas circunstâncias da vida em 2 horas…e tudo era torrentes de sonhos e nós estamos rejubilando, cantando para a noite estrelada e ébria da Ilha deserta onde sempre habitámos, comemorando numa celebração triunfal os grandes mistérios conquistados e analisamo-los à luz das estrelas num Inferno qualquer, uma ilha, um Oceano, um lugar qualquer onde a nossa alma possa ir e possa estar tranquila, só com ela mesma, pensando no eterno vazio que nos envolve a todos e as hipóteses defraudadas, mais as...

Assim Se Cumpre em Mim a Lei de Talião (34ª Parte)

Uma convulsão chamou-me à vida numa confortável cama de onde fui violentamente tirado um segundo depois de acordar, atirado com impetuosidade contra uma parede, empurrado para uma sala onde me deixaram sozinho a caminhar semi-desperto, com a alma ferida por de corpo ter sido transferida e os olhos fixos no chão, desejosos de não ter de ver os massacres preparados ali. Entrei num grande quarto onde muitas pessoas dormiam, mas a quantidade de camas era tal, que havia muitas vagas. Por isso deitei-me e descansei um pouco, pensando nos acontecimentos, com medo de existir e de enfrentar esta nova realidade, onde, pelos vistos, existiam pessoas viventes…Adormeci rapidamente. Quando acordei vi três gémeos discutindo, mesmo à minha frente…Olharam-me com raiva, ou medo, não sei determinar, por isso fui-me embora. Não havia mais ninguém no amplo quarto com paredes brancas. Saí por uns portões e vi um imenso desfile de gente…todos iguais, cavaqueando entre si…Todos vestiam o uniforme branco que ...

Todos somos memórias na cabeça de alguém

Todos somos memórias na cabeça de alguém Breves recordações de momentos Sorrisos e cumprimentos Todas as pessoas são memórias Na minha consciência recortada Pelos ataques do isolamento forçado Somos todos memórias perceptivas Que tacteiam pela vida Atingem sonhos de beleza E Apocalipses de comunhão O que somos então? O que somos então? Somos os Ocasionais, por vezes rejubilamos Por vezes votamos contra O Peruano no deserto E voltamos a casa Desejosos de tentar outra vez O que somos então? O que somos então? Somos os pesadelos que atormentam as multidões que interessam Somos a armadilha da nossa vida Somos o desespero da reunião O que somos então? O que somos então? Vestígios antigos e más recordações Nas praias poluídas de memórias alheias O que somos então? O que somos então? Somos a pegada que não pode ser apagada O trilho que não pode ser desfeito O que somos então?

Uma rima para um Vagabundo Qualquer

Os meus caminhos são incertos Não sei para onde devo ir Todas as rotas me agradam Em todas me posso rir